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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Leitura e interpretação no ensino fundamental: o que propõem os materiais oficiais do Estado
Autor(es): Fabiana Claudia Viana Borges. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 01/03/2024
Palavra-chave Leitura, Leitura, Material Didático
Resumo

Este trabalho tem por objetivo propor uma discussão acerca dos gestos de leitura e interpretação, pelo viés da Análise do Discurso, de linha francesa, a partir dos materiais oficiais do Estado, destinados a professores e a alunos do Ensino Fundamental – Educação Básica –, no estado de São Paulo. Esses materiais, ao apresentarem a concepção de leitura e como deve ser trabalhada em sala de aula, possibilitam reflexão e discussões a respeito da leitura e da escrita na sala de aula (e fora dela). Serão apresentadas análises de recortes que vão desde o índice dos livros dos alunos, enfatizando a maneira como os diferentes textos são distribuídos em seções específicas e como essa distribuição evidencia a concepção de leitura que sustenta esse material, até o direcionamento que é dado aos professores no Guia de Planejamento e Orientações Didáticas. Ao considerar que os sentidos e os sujeitos não são prontos, mas em efetiva construção, aceitamos que é preciso inserir nos estudos discursivos as condições de produção em que esses gestos se dão; nos textos aqui analisados, os mecanismos de distribuição dos sentidos na/pela Escola e o modo como esse espaço institucional significa e faz significar por suas práticas, engendrando sentidos já estabilizados, esperados e regulados são questões cruciais para pensarmos a constituição histórica dos sujeitos-leitores, tanto do imaginário que constitui o sujeito-leitor (aquele que se espera) quanto do sujeito-leitor real (aquele que se tem), presente na Escola. A discussão proposta por esta comunicação só se faz possível porque, ao nosso ver, a Análise do Discurso, não só ao que se refere ao ensino, constitui-se como um dispositivo que possibilita uma prática de interpretação capaz de produzir um deslocamento dos sentidos (e dos sujeitos) para um outro lugar, menos previsível, menos evidente e menos estabilizado, que faz (re)significar o que ficou silenciado no discurso.