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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Características do primeiro romance gaúcho: A divina pastora
Autor(es): Jair Pereira Junior. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 01/03/2024
Palavra-chave Romance Gaúcho, Romance Gaúcho, Crítica Literária
Resumo

Caldre e Fião escreveu A divina pastora numa época em que o romance ainda principiava como gênero no Brasil. Por essa razão, encontramos um estilo bastante distanciado do que verificamos na evolução da escritura dos romances, como a inclusão insistente de notas de rodapé, explicando, por elas, vocábulos próprios da linguagem gaúcha, situações e comportamentos peculiares ao povo, características da terra, do clima, do relevo, fatos históricos. Essa construção confere uma estrutura didática ao romance, sem deixar de mergulhar, efetivamente, no universo ficcional. Uma estrutura assim revela o processo de aprendizagem da construção do gênero romance em nosso país. Em 1847, fazer prosa literária era ainda experiência recente no Brasil. E a história da literatura brasileira nos mostra que o Brasil, Estado-nação jovem quando o gênero se iniciou, ainda demoraria para encontrar sua forma no romance. Por conta disso, provavelmente, A divina pastora revele uma certa imaturidade do gênero, mostrando falta de separação entre os campos da arte e história do real. Ao dirigirmos nosso olhar para o processo de construção do gênero, o que encontramos nessa obra, em termos de estrutura e de conteúdo informativo, pode ser um defeito em relação ao paradigma do romance do mundo urbano plenamente configurado. No entanto, é preciso dirigir-lhe o olhar de uma perspectiva histórica: quando ele foi escrito, lia-se de tudo e havia poucos livros para se ler num Brasil que ansiava por construir seus próprios padrões culturais. Divina Pastora, de Cladre e Fião, publicado em 1847, é o primeiro romance gaúcho e o terceiro na história da literatura brasileira. Em seu universo narrativo, representa duas importantes imagens históricas do passado do RS, quais sejam: a Revolução Farroupilha e a imigração alemã. A sua trajetória como obra desperta curiosidade entre os pesquisadores, pois a primeira  edição desapareceu por 145 anos. Somente em 1992, quando um exemplar foi encontrado com um leitor uruguaio, em Montevidéu, foi possível, então, após resgatá-lo, fazer a segunda edição. A narrativa está ambientada na época da Revolução Farroupilha (1835-1845), mas narra, sobretudo, a convivência de grupos sociais diferenciados e constrói uma apresentação do estado do RS na primeira metade do século XIX. Em vista disso, o estudo realizado analisa as duas imagens citadas e narra a história do romance, reapresentando-o, assim, à crítica.