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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: O que diz a morfologia sobre os glides? Para uma visão além da fonologia
Autor(es): Evilazia Ferreira Martins. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave Glides, Glides, Fonologia
Resumo

Este trabalho tem por objetivo apresentar e discutir as evidências morfológicas que encontramos sobre a derivação dos glides de ditongos decrescentes no Português Brasileiro (doravante PB). Há, apesar das diferenças teóricas, um consenso na fonologia do Português Brasileiro de que os glides [j] e [w] de ditongos decrescentes são alofones contextuais das vogais altas (Bisol, 1999; Câmara Jr, 1970; Leite, 1974; Lopez, 1979). Deste modo, eles seriam formados no nível fonológico, diferentemente dos glides de ditongos crescentes que são formados no nível fonético. Numa perspectiva recente, Bisol (1999) demonstrou essa possibilidade derivacional pela Teoria Fonológica Lexical. Em sua análise, os glides de ditongos decrescentes são formados no nível lexical por uma regra de silabificação de formação de coda. Entretanto, alguns questionamentos são possíveis à proposta alofônica: primeiro, é característico das regras fonológicas lexicais a sensibilidade que elas apresentam com relação à morfologia. Entretanto, ao observarmos a morfologia, notamos que, em bordas morfológicas de palavras formadas por processos derivacionais, quando uma vogal alta está à direita de outra vogal, a primeira se apaga (‘piano’, ‘pianista’) e quando não há este apagamento, há a formação do hiato (‘cafeína’). Logo, sobre o ponto de vista morfológico, derivar os glides de ditongos decrescentes, que não são sensíveis à morfologia, no nível lexical, intrinsicamente, morfológico, é problemático para a análise alofônica. Segundo, pelo viés morfológico, concluímos que a formação de ditongos é sensível à categoria morfológica, sendo coibidos em processos derivacionais e permitidos em processos flexionais. Deste modo, propomos que a grande maioria dos glides de ditongos decrescentes, quando invariáveis com vogais altas, já compõe a entrada do léxico. Aqueles que variam com vogais altas (alternância entre ditongos e hiatos) são gerados por regras pós-lexicais. O presente trabalho consistirá de discussão descritiva e assumirá, com finalidade pedagógica e comparativa, a representação teórica pela Fonologia Lexical, visto que, sua representação pela OT ainda está em construção.