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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Sinais morfologicamente complexos (com classificadores) na libras tratados como compostos à luz da Morfologia Distribuída
Autor(es): Aline Garcia Rodero-Takahira. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 29/02/2024
Palavra-chave Composição, Composição, Morfologia Distribuída
Resumo

Este trabalho objetiva investigar a formação de sinais morfologicamente complexos da libras (Língua de Sinais Brasileira), mais especificamente, estruturas que envolvem classificadores (CLs) e/ou um ou mais sinais simples. Uma vez que essas estruturas resultam na formação de um novo sinal, com reduções fonológicas e um novo significado, as tratamos como composição. O fenômeno da composição é reconhecido por caracterizar a morfologia sequencial nas línguas de sinais (LSs). A morfologia não-concatenativa é considerada mais comum nessa modalidade de língua (ARONOFF et al, 2004; SANDLER; LILLO-MARTIN, 2006). Algumas LSs também apresentam compostos simultâneos, dos quais alguns são formados com CLs (BRENNAN, 1990). Coletamos dados com três colaboradores Surdos e observamos que, na libras, podemos encontrar compostos sequenciais com dois, VER^PEGAR “achar”; com dois CLs, BICOCL^ASASCL “pássaro”; e, com um CL e um sinal, LUACL^VIAGEM “lua de mel”. Há também compostos simultâneos com dois ou mais sinais, que também envolvem CLs, como CAVALO^PESSOACL||BALANÇAR-CAVALOCL “cavalinho de balanço” (RODERO-TAKAHIRA, 2013). Johnston & Schembri (1999) distinguem lexemas (tipo de sinal lexicalizado, monomorfêmico, tratado no léxico) de sinais (formados por morfemas, apresentam vários significados possíveis a depender do contexto, tratados na gramática). Nossos dados mostram que sinais e CLs aparecem em uma mesma formação, nos compostos, o que sugere que sejam formados em um mesmo componente, sendo menos custoso para o sistema gerativo. Neste trabalho, consideramos que os CLs são morfologicamente complexos (ZWITSERLOOD, 2003, 2008) e são gerados da mesma forma que sinais simples. Seguindo o modelo da Morfologia Distribuída (HALLE; MARANTZ, 1993), DM, que considera que palavras são formadas na sintaxe, pelas mesmas operações que formam sentenças, Zwitserlood (2008) considera que sinais semanticamente motivados são formados como compostos raiz. Cada componente contribui para o significado do sinal de forma que cada um dos parâmetros que a autora considera (Movimento, Configuração de mãos e Locação) contribui como uma raiz. Dessa forma, ela considera que há conteúdo fonológico nas raízes. Parte das pesquisas em MD discute que raízes não possuem conteúdo fonológico. Para darmos conta desses dados em uma proposta sem fonologia na raiz, consideramos Movimento, Configuração de mãos e Locação como valores mais gerais, como traços morfossintáticos, conforme ideias iniciadas em Rodero-Takahira & Minussi (2013). Essa investigação nos levará a uma análise para os sinais morfologicamente complexos da libras como sendo formados em um único componente, na sintaxe. Além disso, esclareceremos questões específicas às LSs, como ao que diz respeito ao estatuto dos CLs.