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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Construções de baixa frequência se gramaticalizam? Um estudo das construções de conformidade no português arcaico
Autor(es): Cassiano Luiz do Carmo Santos. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave gramaticalização, gramaticalização, conformidade
Resumo

Adotando pressupostos teóricos da Gramática das Construções (Traugott, 2009)   e de um Modelo Baseado no Uso (Bybee, 2010), tenho por objetivo analisar as construções de conformidade encabeçadas por conforme e segundo verificando como se deu a possível gramaticalização delas e a sua relação com o gênero textual. Segundo a literatura em gramaticalização, para o processo ocorrer, a construção (ou parte da construção) deve exibir alta frequência de ocorrência, pois é a partir daí que os fenômenos associados à gramaticalização poderão ocorrer, a saber: habituação, automatização, redução de formas e emancipação (Bybee, 2003). O primeiro fenômeno se refere ao fato de um elemento perder força semântica à medida que ocorra mais frequentemente (bleaching ou desbotamento semântico), isto é, a construção perde partes de seu significado. A perda de componente semântico é acompanhada por redução dos gestos articulatórios (automatização e redução de formas). Este último processo leva à formação de chunks (palavras e morfemas que ocorrem juntos com alta frequência passam a ser processados como uma única unidade). Mesmo assim, apesar das perdas, a construção em processo de gramaticalização ganha em ampliação de contextos de ocorrência (generalização contextual), o que faz com que ela passe a ocorrer em contextos que antes não aparecia. Em contrapartida, Hoffmann (2005) defende que a alta frequência textual não é essencial para haver gramaticalização. Muito pelo contrário, uma construção, por ser de alta frequência, pode resistir ao processo de gramaticalização. Em Swahili, por exemplo, nenhum dos 15 itens mais frequentes serviu como fonte de gramaticalização. Além disso, o pesquisador demonstra que apesar da baixa frequência, as preposições complexas do inglês se gramaticalizaram. Assim, à luz de uma breve análise diacrônica de gênero textual (fenômenos sócio-históricos que emergem ou desaparecem conforme as necessidades práticas das sociedades, Marcuschi: 2002), investigo se houve gramaticalização destas construções no Português Arcaico, embora se constituam construções de baixíssima frequência, o que parece contrariar pressupostos tradicionais nos estudos de gramaticalização.