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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: O não-lugar do mito
Autor(es): Vivian de Assis Lemos. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave Mito, Mito, Memória
Resumo

Este estudo propõe a análise do livro "Órfãos do Eldorado" publicado em 2008 pelo escritor manauara Milton Hatoum, focalizando a apropriação que o autor faz do mito do Eldorado, colocando-o como base de sua narrativa, para desconstruí-lo em sua novela. Na obra em questão, o autor apropria-se desse conhecido mito para estabelecer uma relação com a memória, pedra angular da obra hatouniana,  na qual a crença na existência desse lugar mítico é praticamente uma válvula de escape para o protagonista e narrador Arminto, que encontra nesse mito um modo de não sucumbir à realidade de abandono vivida por ele. Assim, a cidade encantada, o Eldorado, é buscado com afinco por Arminto que acredita que nele encontrará novamente a sua amada. Ao desconstruir esse mito, Milton Hatoum, valendo-se do uso da ironia, constrói um percurso mítico que ao final mostra-se revelador de que contemporaneamente o mito não tem mais lugar. Assim, acreditamos que o autor subverte o conhecido mito para criar o próprio mito. A partir dessa hipótese de pesquisa, utilizamos como pressupostos teóricos as concepções de Sérgio Buarque de Holanda (1996), para quem o Eldorado é um mito historicamente concebido uma vez que desde o período das grandes navegações ele é buscado e compreendido como um paraíso terreal pelos colonizadores e que até hoje mantêm acessa em alguns a crença na sua existência. Para compreendermos a relação do mito com a vida do protagonista, Arminto, utilizaremos o conceito de "pulsão de ficção" defendido por Suzi Frankl Sperber (2009), que concebe o ato de narrar como uma maneira de autoconhecimento. Além disso, para compreendermos melhor o universo hatouniano, mobilizamos referenciais da fortuna crítica do autor e de narrativa contemporânea, como os estudos de Karl Erik Schøllhammer (2011) e Giorgio Agamben (2009), assim como entrevistas concedidas pelo autor em vários tipos de mídias sociais.