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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Ditos, manipulações e transgressões: a propaganda em seus “deslizes”
Autor(es): luciano luiz araujo. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave Propaganda, Propaganda, Transgressão
Resumo

Considerando-se o tripé da Análise do Discurso pecheutiana, Língua, Sujeito e História, este trabalho tem o objetivo de perceber o funcionamento discursivo em propagandas de cerveja e lingerie, refletindo sobre os “deslizes metafóricos” constantes nas materialidades discursivas analisadas; algo que aponta para um equívoco na/da Língua, mas algo que aponta, também, para uma transgressão cultural. Segundo Pêcheux (2008) “todo enunciado, toda sequência de enunciado é, pois, linguisticamente descritível como uma série (léxico-sintaticamente determinada) de pontos de deriva possíveis (para nós, deslizes, efeitos metafóricos), oferecendo lugar à interpretação.” Tais efeitos metafóricos constituem-se como fenômeno semântico, e em conjunto com as condições de produção do discurso remete a outros discursos. Vale ressaltar também que ocorre um “deslize” (transgressão) na propaganda, no intuito da apresentação do produto ou ideia que se defende.  Nesse caso, além de existir um efeito metafórico; há uma transgressão, exploração do corpo feminino, bem como acontece uma deriva de sentidos sobre o que seria a manipulação da propaganda. Embora se tenha conhecimento que os recursos utilizados pela propaganda/publicidade têm o intuito de vender; defender determinado ponto de vista, é notório que nem tudo mostra-se possível ou viável para concretização dos objetivos que acompanham a elaboração de dada peça publicitária, porque as ideias materializadas podem ir de encontro a determinada prática social, ferindo uma ética, moral cultural, buscando-se uma naturalização para o que é transgressor. Pensar a “manipulação na/da propaganda” implica em uma reflexão sobre os esquecimentos nº 1 e 2, teorizados por Pêcheux, nos quais o sujeito não é a origem do dizer, assim como não está nas mãos dele o controle dos sentidos que podem derivar do discurso; contudo, as condições de produção são fundamentais para compreender os sentidos produzidos, embora passíveis de equívocos, pois mesmo que haja intenção de controlar os sentidos na propaganda, isso não é possível. Ressalte-se que nessa prática social discursiva pode-se perceber as contradições sociais existentes.