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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Categorias gramaticais polarizadas e ausência de trabalho reflexivo no ensino de línguas: o caso dos substantivos concreto e abstrato.
Autor(es): Lígia Formico Paoletti, Leticia Marcondes Rezende. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 02/03/2024
Palavra-chave gramática, ensino de língua materna , operações da linguagem
Resumo Esta comunicação tem por objetivo mostrar um estudo que fizemos do modo como se ensina gramática na escola, e, em particular, como se ensina os substantivos e sua classificação em abstrato e concreto e do que poderia ser uma proposta de ensino com o respaldo da Teoria das Operações Predicativas e Enunciativas de Antoine Culioli. De valores polarizados como concreto e abstrato, identificamos um conjunto de vetores no enunciado, tais como, as noções, as operações de quantificação e qualificação, que geram organizações léxico-gramaticais diferenciadas e que apontam para processos de referenciação mais ou menos estabilizados. A classificação concreto e abstrato apresenta, como critério, propriedades extralinguísticas e homogeneizadas, e não oferece possibilidade para discussão de outros valores ou valores oscilantes. O que ocorre nas indicações das atividades de alguns manuais didáticos são alguns apontamentos de situações extraordinárias ou situações-desafios, nas quais o contexto indicará alguma solução, necessariamente polarizada. Considerando essa dificuldade acima exposta, e como tentativa de sair do ensino tradicional, algumas gramáticas de tendência descritiva ou funcional apresentam situações e explicações que apontam que uma categoria gramatical pode deslizar de classes ou pertencer a mais de uma. Nesse caso, a situação sempre é vista como exceção e não como oportunidade de reflexão sobre a língua. Podemos afirmar que esse estudo acerca dos substantivos abstratos e concretos é somente mais um caso de como são trabalhadas todas as questões ligadas ao ensino de gramática. Observamos que o ponto de intersecção entre as teorias tradicionais, funcionais e descritivas é a reflexão sobre o objeto pronto, sobre o resultado da materialidade (escrita ou sonora) do sujeito e sobre as possíveis formas de usos de unidades lexicais ou gramaticais. Mesmo quando existe a valorização da variação e do deslocamento de classes gramaticais, essas abordagens ainda têm, como unidade de estudo, as estruturas estáticas. Não se centraliza, no ensino de gramática, o trabalho com a linguagem, o esforço do sujeito, no caso o aprendiz, em relacionar as unidades de língua e atribuir-lhes um valor. Apresentaremos também um exercício feito com os alunos do 6º ano do Ensino Fundamental. Por meio de paráfrases foi possível modular um enunciado de partida e acompanhar a trajetória de construção dos valores pelos aprendizes e, desse modo, criar as condições de reflexão sobre a linguagem.