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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: O roman à clef na literatura brasileira: uma leitura a partir do cronotopo bakhtiniano
Autor(es): Pauliane Amaral. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave Mikhail Bakhtin, Teorias da narrativa, Literatura brasileira
Resumo

Em “Formas de tempo e cronotopo do romance” (1937-1938), ensaio publicado no Brasil no livro Questões de literatura e estética: a teoria do romance (2014), Mikhail Bakhtin se dedica à discussão da questão do tempo e do espaço no gênero romanesco a partir da análise de obras fundadoras do romance Europeu. Esse ensaio, focado em cronotopos clássicos, é nosso ponto de partida para a discussão de uma genealogia do roman à clef. Definido como um romance com chave, em que personagens e eventos reais reaparecem na malha ficcional com nomes fictícios, o roman à clef tem seu nascimento na França do século XVII, quando escritores como Madeleine de Scudéry criavam representações ficcionais de pessoas conhecidas da corte de Luís XIV para apimentar suas histórias. Tendo em vista que há “cronotopos grandes, fundamentais, que englobam tudo” e que “podem incluir em si uma quantidade ilimitada de pequenos cronotopos” (BAKHTIN, 2014, p. 357), incluímos o roman à clef no cronotopo maior do romance autobiográfico, que, ao lado do cronotopo do romance grego ou sofista e do cronotopo do romance de aventuras e provações formam os cronotopos grandes e fundamentais, segundo Bakhtin. Em nossa proposta, a análise do cronotopo no roman à clef é feita a partir de uma leitura de romances pertencentes a diferentes períodos da literatura brasileira: Recordações do Escrivão Isaías Caminha (1909), de Lima Barreto; O inferno é aqui mesmo (1979), de Luiz Vilela; e, Chá das cinco com o vampiro (2010), de Miguel Sanches Neto. Entre outros aspectos, esses romances têm em comum a polêmica e repercussão que marcaram o seu lançamento, assim como  narradores autodiegéticos que constituem alter egos dos próprios escritores. Assim, analisando essas narrativas, esboçamos uma trajetória desse estilo romanesco na literatura brasileira, ressaltando suas diferenças e consonâncias, a partir da exposição da forma como se estrutura espaço e tempo na narrativa – o cronotopo – nesses romans à clef.