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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: A construção do gênero “obituário” na Folha de S. Paulo
Autor(es): Jonathan Henrique Semmler. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 24/02/2024
Palavra-chave OBITURIOS, GNEROS DO DISCURSO, GNEROS JORNALSTICOS
Resumo

ESTE PAINEL APRESENTA O GÊNERO OBITUÁRIO PUBLICADO NA FOLHA DE S. PAULO, NO MODELO DE RELATO BIOGRÁFICO, COMO UM GÊNERO DO DISCURSO, DE NATUREZA FÚNEBRE, DISTINTO DE OUTROS GÊNEROS QUE CONTAM UMA HISTÓRIA DE VIDA OU QUE NOTICIAM A MORTE DE INDIVÍDUOS FAMOSOS OU ANÔNIMOS, COMO É O CASO DE REPORTAGENS DE FALECIMENTO, PERFIS, CRÔNICAS, CLOSE-UPS E BIOGRAFIAS. TAMBÉM ABORDA O DIÁLOGO QUE O OBITUÁRIO ESTABELECE COM OUTROS TEXTOS DA SEÇÃO MORTES DA FOLHA, ONDE É PUBLICADO JUNTO ÀS NOTAS DE FALECIMENTO, ÀS HOMENAGENS E AOS CONVITES DE MISSA. TEM COMO OBJETIVO INSERIR O OBITUÁRIO, AINDA CONSIDERADO UM FORMATO DE TEXTO NÃO CATALOGADO (MARQUES DE MELO, 2010), NOS ESTUDOS DE GÊNERO DO DISCURSO CONSIDERANDO AS TEORIAS DE BAKHTIN (2011) E MARCUSCHI (2005), AUTORES QUE DEFENDEM OS GÊNEROS COMO ENUNCIADOS RELATIVAMENTE ESTÁVEIS E PLÁSTICOS, MOLDADOS A PARTIR DE SITUAÇÕES COMUNICATIVAS DETERMINADAS QUE ORGANIZAM A VIDA DAS PESSOAS. PARA CONTEXTUALIZAR O ESTUDO DE GÊNEROS JORNALÍSTICOS NO BRASIL, TRAZ O PANORAMA AMPLAMENTE ABORDADO POR MARQUES DE MELO E ASSIS (2010) E AS OBSERVAÇÕES DE COSTA (2010), QUE SEPARA OS GÊNEROS EM CINCO CATEGORIAS JORNALÍSTICAS (INFORMATIVO, OPINATIVO, UTILITÁRIO, DIVERSIONAL E INTERPRETATIVO) CONSIDERANDO A FUNÇÃO DO LER E DESCREVER O REAL. NO CORPUS, CONSTITUÍDO POR 2.284 OBITUÁRIOS PUBLICADOS NA FOLHA, NO PERÍODO DE 24/10/2007 A 31/12/2012, FORAM APLICADOS DOIS PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE. O PRIMEIRO, QUANTITATIVO, OBSERVA AS CARACTERÍSTICAS COMPOSICIONAIS DO GÊNERO, ELENCANDO O PÚBLICO OBITUARIADO (IMPORT NCIA MIDIÁTICA, SITUAÇÃO ECONÔMICA, ETC), O GÊNERO (MASCULINO/FEMININO), A LITERARIEDADE (MAIS/MENOS LITERÁRIO), A EXTENSÃO E A IDADE DOS MORTOS, ELEMENTOS RESPONSÁVEIS PELA COMPOSIÇÃO DO GÊNERO. O SEGUNDO, QUALITATIVO, ANALISA A ESTILÍSTICA DO GÊNERO E QUESTIONA SE O TEMA, EM TERMOS BAKHTINIANOS, TRAZIDO NO OBITUÁRIO É A MORTE DE UM INDIVÍDUO OU SUA HISTÓRIA DE VIDA. ESTA METODOLOGIA VISA A COMPREENDER SE É POSSÍVEL INSERIR O OBITUÁRIO NA CATEGORIA INTERPRETATIVA, DIVERSIONAL OU UTILITÁRIA, E SE PODE SER RELACIONADO AOS GÊNEROS SUPRACITADOS. POR ESTAR LIGADO À MORTE COMO NATUREZA ENUNCIATIVA, DEFENDEMOS QUE O GÊNERO NÃO DEVE SER COMPREENDIDO COMO PERFIL, BIOGRAFIA, NOTÍCIA OU CRÔNICA, POR UTILIZAR COMO TEMÁTICA “RESTRITA” A HISTÓRIA DE UM INDIVÍDUO MORTO, COM ÓBITO OCORRIDO ATÉ SETE DIAS ANTES DA PUBLICAÇÃO, E SEM FAMA OCASIONAL. O ESTUDO CONCLUI QUE OS OBITUÁRIOS PUBLICADOS NA FOLHA SÃO UM GÊNERO INTERPRETATIVO QUE PARTE DA ANÁLISE DE DADOS SOBRE O MORTO OBTIDOS EM ENTREVISTA E, TAMBÉM, UTILITÁRIO, POR INSERIR A CAUSA MORTIS COMO ELEMENTO FINAL, PRESTANDO UM SERVIÇO AO PÚBLICO E AO JORNAL.