logo

Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: A estruturação de textos narrativos em figura e fundo: atenção, memória e linguagem
Autor(es): Marcus Lepesqueur Fabiano Gomes. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 02/03/2024
Palavra-chave Narrativa, Figura e Fundo, Cognio
Resumo

Em textos narrativos, alguns eventos compõem a linha principal da história e, devido ao seu estado cognitivo de foco e saliência, são gramatical e discursivamente marcados como figura. Eventos que não compartilham esse status são marcados como fundo narrativo e fornecem informações que sustentam os elementos centrais da história (Hopper, 1979; Tenuta, 2006). Este processo de figuração em narrativas é governado pelos mesmos princípios cognitivos propostos pela psicologia da Gestalt na organização espacial da percepção visual (Koffka, 1935; Wertheimer, 1938; Reinhart, 1982). Este trabalho tem como objetivo relatar os resultados de um estudo que investigou o processo de figuração i.e, o processo de distribuição linguística de unidades de figura e de fundo em narrativas orais. Foram analisados padrões de figuração em textos narrativos produzidos por 13 indivíduos, a partir de 4 tarefas com demandas cognitivas distintas de atenção e memória. Utilizando um modelo estatístico de regressão logística, foi analisada a correlação entre a ocorrência dessas unidades de figura ou fundo narrativos e tarefas específicas. O modelo estatístico utilizado sugere uma correlação positiva (p   < 0,001) entre as tarefas que exigem recuperação da informação na memória (nos termos de Baddeley, 2007) e a quantidade de estruturas de fundo narrativo. Mais precisamente, este tipo de tarefa aumenta em mais de 2,5 vezes (eβ) a chance de ocorrência de fundo narrativo, comparativamente a outras tarefas. Compreende-se, com base nas perspectivas de   Bruner   (2002)   e   Chafe   (1990),   que   narrativas   produzidas   a   partir   de conteúdos da memória tendem a apresentar mais unidades de fundo, fugindo de uma representação objetiva da realidade, envolvendo uma maior manipulação de modelos cognitivos. A maior proporção de fundo narrativo foi interpretada como o resultado de um processo de reconstrução e enriquecimento do conteúdo pela memória, mostrando que a narrativa pode ser vista não apenas como um gênero discursivo, mas também como uma habilidade cognitiva de organizar a experiência e construir sentido (Bruner, 2002). Estes resultados corroboram um princípio central da Linguística Cognitiva da relação entre linguagem e cognição, indicando, especificamente, que estudos linguísticos da narrativa podem lançar luz sobre aspectos da memória e atenção.