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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Questões em torno da monstruosidade em O natimorto
Autor(es): Juliana Ciambra Rahe Bertin. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave Monstro, Horror, Loureno Mutarelli
Resumo

Este trabalho tem como objetivo a análise do monstro no romance O natimorto (2009), do escritor brasileiro Lourenço Mutarelli. Os monstros dão forma àquilo que se apresenta como horrível e ameaçador na experiência humana. Vampiros, lobisomens, mutantes, alienígenas – desde o imaginário medieval até as narrativas contemporâneas eles continuam impondo sua presença, ressurgindo a cada momento em diferentes formas e sob diferentes significados sociais e culturais. O monstro é uma construção cultural que está amarrada a paradigmas que trabalham com aquilo que está fora de uma dada ordem, considerada como lógica. Assim, a monstruosidade é um artifício para estabelecer fronteiras entre práticas permitidas e proibidas, entre a ordem e o caos, entre nós e eles. Em O natimorto, a compreensão do horror se dá pela análise da monstruosidade do personagem principal, O Agente, cujo comportamento não se enquadra naquilo o que socialmente consideramos como aceitável. Para analisá-lo, partiremos de sua configuração e veremos como é possível observar em tal personagem características comuns aos seres monstruosos, como o espaço que tais criaturas habitam; a impureza de sua composição - que dificulta a classificação -; as emoções que eles despertam; o prazer, o poder e a liberdade que advém de sua condição. Além disso, verificaremos como o enquadramento d'O Agente na categoria monstro é validada pelo próprio discurso do protagonista. Nas histórias que conta sobre episódios da sua infância, O Agente revela atitudes condenáveis e expõe-se como monstro. No entanto, o mais significativo nas narrativas do protagonista não é a revelação de sua monstruosidade, mas o que elas nos dizem sobre a monstruosidade de uma maneira geral. O Agente questiona a validade dos parâmetros que usamos para classificar os monstros, e nos  mostra aquilo o que preferimos não ver, colocando em cena a artificialidade dos limites que estabelecemos para rotular e separar o humano do monstruoso.