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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Elaboração de diários pessoais: a função de suplência da escrita
Autor(es): Viviane Dins de Oliveira Ribeiro Bartho. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave Adolescentes abandonados, Produo de dirios, Escrita teraputica
Resumo

Os sujeitos desta pesquisa são adolescentes em situação de acolhimento de uma instituição pública. O problema investigado foi delimitado a partir de queixas de funcionários da instituição acerca da falta de engajamento desses adolescentes a atividades pedagógicas. A hipótese foi que, dada a própria natureza da instituição de acolhimento, os instituídos são objetos de autoridade excessiva ou de compaixão assistencialista que resultam, respectivamente, na resistência e no imobilismo. A partir desses elementos, iniciaram-se atividades de leitura e escrita com os abrigados e propôs-se a elaboração de diários autobiográficos, atividade inspirada no filme “Escritores da Liberdade” (FREEDOM, 2007) e no livro “O Diário de Zlata” (FILIPOVIC, 2011), em que uma adolescente relata sua rotina em meio à guerra da antiga Iugoslávia. De imediato, o problema apontado se confirmou, visto que os adolescentes pouco se engajavam nas atividades propostas. Ocorreu, porém, que, à medida que os encontros progrediam, eles aderiam ao projeto, o que pareceu ter sido corroborado pelos diários cada vez mais escritos. Frente a essa nova configuração, a pesquisa objetivou analisar os diários produzidos por uma perspectiva francesa de análise do discurso e por conceitos psicanalíticos de vertente lacaniana, e neles encontrar indícios que explicassem o problema apontado e pelos quais se pudessem observar os efeitos da escrita na subjetividade dos sujeitos de pesquisa. Parte dos resultados aponta para uma função terapêutica da escrita nos diários: a escrita teria função de suplência, a partir da qual o sujeito simboliza suas angústias e evita-se a realização concreta delas. A análise permite concluir que os diários podem designar espaço para a exposição da singularidade dos adolescentes, uma vez que vivem em um ambiente homogeneizante, devido à própria função da instituição, preocupada em atender basicamente às demandas físicas do sujeito, mas não a uma demanda de ordem psicanalítica, que lhe é singular e vital.