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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: De “Je suis Charlie” a “Je suis (... )” - a circulação de uma fórmula e de uma noção de solidariedade coletiva
Autor(es): rika de Moraes. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 01/03/2024
Palavra-chave frmula discursiva, autoria, circulao
Resumo

Juntamente com os atentados terroristas de Paris e a consequente Marcha pela Paz de janeiro de 2015, (re)nasce uma fórmula mundial, “Je suis...”. Seu despertar teria sido um tweet postado no dia 7 de janeiro de 2015, dia do atentado contra o jornal humorístico francês Charlie Hebdo. A frase ganhou as ruas e, rapidamente, transformou-se em um slogan de solidariedade às vítimas, embora se possa dizer que nem todos que a divulgavam concordavam necessariamente com seu “sentido literal” (ser Charlie, no sentido mais evidente, inclui o significado de ser favorável a um certo tipo de humor propagado pelo jornal). É fato que o slogan adquiriu sentidos muito mais amplos, tais como “sou a favor da liberdade de expressão”; “sou contra a violência, o terrorismo” até o simbólico efeito de sentido em torno da solidariedade coletiva. Como diz Maingueneau, alguns enunciados nascem (e/ou são retomados) com a propensão para serem destacados, como foi o caso dessa fórmula. A fórmula “Je suis” não se origina no atentado, mas a partir dele se potencializa, bem como intensifica a possibilidade de “auto-completar-se”: “Je suis Ahmed” (referência ao policial muçulmano morto durante o atentado); “Je suis Nigeria” (em referência a pessoas massacradas naquele país); “Je suis Mohamed” (contestação ao sentido “literal” da frase pelos religiosos pró-Mahomed); “Je suis Kenji” (referência ao jornalista japonês assassinado por organização islamista poucos dias depois do atentado de Paris). Visto que nos interessam as questões de autoria, propomos discorrer sobre os caminhos de circulação desta fórmula (entendidos aqui como produção coletiva), sua expansão e contenção de sentidos. Mostrar que, embora carregue a aparência da unanimidade, ela é imbuída de dispersão. Investigar as condições de produção e circulação do enunciado “Je suis Charlie” e seus derivados, no quadro téorico-metodológico da Análise do Discurso de Tradição Francesa, permite compreender tanto os efeitos de sentido deste “acontecimento discursivo” em particular quanto os efeitos de textualização coletiva característicos dos tempos atuais, quando as tecnologias midiáticas têm influência decisiva na circulação de discursos. Entende-se, assim, que a produção colaborativa é marca de uma discursividade contemporânea.