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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: O estatuto categorial da construção "se pá" no Português do Brasil
Autor(es): Tainara Agostini. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 24/02/2024
Palavra-chave Funcionalismo, Hipoteticidade, Marcador Discursivo
Resumo

Muitas são as formas de expressão do valor condicional no português do Brasil (HIRATA-VALE, 2005, OLIVEIRA, 2008). Além dos expedientes canônicos, tais como as orações adverbiais condicionais, encabeçadas pela conjunção condicional prototípica se, encontram-se ainda expedientes não-canônicos, como conjunções complexas (CAMARGO, 2012, HIRATA-VALE, 2012), o uso de conjunções de outros domínios semânticos, como as concessivas e as temporais, e de construções não subordinadas. Neste trabalho, analisou-se uma forma inovadora de manifestação do sentido condicional/hipotético, a construção “se pá”. O uso dessa construção se disseminou pela língua falada e escrita, tanto é que vem sendo utilizada nas redes sociais, tais como o Facebook e o Twitter. Essa mesma construção parece ser utilizada como um simples advérbio de dúvida, como um talvez, como uma oração condicional ou como um marcador discursivo. Em todos os casos, o falante usa a construção se pá, para marcar um conteúdo hipotético, mas há uma vagueza da classificação categorial, já que a construção pode ser classificada de maneiras distintas. A base teórica deste projeto se sustentou na teoria funcionalista, e, portanto, utilizamos ocorrências reais da língua portuguesa. O objetivo deste trabalho foi chegar a uma caracterização sintática, semântica e pragmática da construção se pá (e suas variantes) no português do Brasil. Para tanto, analisamos os contextos de uso dessa construção, levando em conta os seguintes critérios, entre outros, a posição da construção em relação à oração núcleo; as correlações modo-temporais utilizadas; a presença de outros marcadores de incerteza ou hipoteticidade. Como a construção se pá é uma construção recente e usada principalmente por jovens, recorremos para a constituição do corpus deste trabalho, à internet, que tem se tornando, ultimamente, fonte direta para trabalhos em linguística (VANDELANOTTE, 2007; SANTANA, 2010). Desse modo, coletamos textos na internet, em blogs, redes sociais, fóruns de discussão, etc. para compor o corpus de trabalho. Na análise do córpus, foram encontradas ocorrências de “se pá” como advérbio de dúvida, oração adverbial condicional ou como marcador discursivo, mas conforme nossa hipótese, concluímos que não há uma só categoria na qual a construção "se pá" se enquadra, seu uso é muito mais amplo. Tomando como base as teorias funcionalistas, não pudemos encontrar uma categoria para a construção em análise, de modo que fica em aberto seu uso como: advérbio, conjunção condicional e qualquer classe que se expresse hipoteticidade ou incerteza.