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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Dados sintáticos do PB em gramáticas brasileiras oitocentistas
Autor(es): Stela Maris Detregiacchi Gabriel Danna, Bruna Soares Polachini. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave gramtica brasileira, sintaxe, portugus brasileiro
Resumo

Como sabemos, o Brasil passou por uma série de transformações histórico-políticas ao longo do século XIX, por exemplo: Independência e a Proclamação da República, a Abolição da Escravatura, fluxo imigratório de europeus, entre outros. Neste período, no qual emergia uma gramaticografia brasileira do português, o país também viu florescer em seu território descrições do português baseadas em orientações metodológicas distintas: algumas vinculadas a uma abordagem dita especulativa ou filosófica, que preconizava o que havia de geral e comum nas línguas; outras, alinhadas a um método histórico-comparativo, que, em geral, buscava particularidades observáveis entre as línguas. Considerando estes dados de ordem externa e interna, neste trabalho, analisamos um conjunto de dez textos gramaticais representantes da formação da gramaticografia brasileira do português ao longo do século XIX e início do século XX (a saber: Morais Silva 1806, Coruja 1835, Sotero dos Reis 1866, Carneiro Ribeiro 1877, Ribeiro 1881, Ribeiro 1889, Pacheco & Lameira 1887, Carneiro Ribeiro 1890, Maciel 1902, Said Ali 1919[1908]), a fim de compreender como elas lidavam com dados linguísticos referidos como próprios de um português falado no Brasil. Como em Coelho, Danna & Polachini 2014 observou-se a presença relevante de dados sintáticos de um português brasileiro – em comparação feita naquele texto com outros tipos de dados, como fonológicos, morfológicos e lexicais – optamos por analisar, em maior profundidade, nesta apresentação, os dados do nível sintático da língua portuguesa. Preliminarmente, verificou-se que  os dados sintáticos pertencentes a um português brasileiro aumentam em  número e em nível de detalhamento analítico após a Grammatica Portugueza de Ribeiro (1881), obra considerada um marco de ruptura epistemológica da gramaticografia brasileira (cf. Nascentes 1939, Elia 1975, Cavaliere 2001), que se distancia da abordagem filosófica e se aproxima daquela do método histórico-comparativo. Assim, além de expor os dados levantados e tratá-los segundo uma perspectiva quantitativa e qualitativa, esboçamos uma interpretação historiográfica que associa a ausência ou presença de dados sintáticos identificados como próprios do português do Brasil com o modo de tratamento que os autores deram à sintaxe nessas obras.