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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: O uso de imagens em estudos acentuais: um estudo piloto
Autor(es): Aline de Lima Benevides. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave Acento, Portugus Brasileiro , Pseudopalavras
Resumo

O presente estudo investigou a utilização de recursos não-linguísticos (imagens) em pesquisas direcionadas à observação dos processos fonológicos que podem reger a atribuição acentual em pseudopalavras por meio de um teste experimental. Para isso, empregaram-se as estratégias de Veloso (2003) e Schille (2012) como método de elicitação de dados.

Técnicas de apresentação de imagens são comumentes usadas para minimizar os efeitos que o conhecimento de regras ortográficas pode exercer sobre as produções dos falantes nativos, tal como em fenômenos acentuais. Essa ferramenta mostra-se ainda mais relevante em línguas como o português em que a marca gráfica consiste em um dos recursos indicadores de tonicidade da palavra (cf. MARRA, 2012; NEY, 2014).

O experimento consistiu na exposição de imagens como meio de criar a palavra alvo – pseudopalavra. A partir das imagens, os falantes deveriam extrair a primeira sílaba da palavra que a nomeasse e, ao término de cada série, produzir a palavra formada. Os estímulos compreenderam 20 pseudopalavras e 20 palavras distratoras, repetidas 3 vezes, totalizando 120 ocorrências. Por ser um estudo piloto, apenas 3 falantes nativos do português brasileiro participaram dos testes.

Os dados foram analisados por meio de oitiva e de análise acústica. O parâmetro acústico de medida de duração das vogais foi empregado para discriminar as vogais átonas das tônicas.

Os resultados gerais parecem demonstrar que o português tem predileção por sílabas finais pesadas, caso contrário, o acento penúltimo tende a ser o padrão escolhido. Porém, experimentos como esse incitam e questionam teorias fonológicas (cf. BISOL, 1994; HERMANS & WETZELS, 2012; LEE, 1995) para as quais o acento antepenúltimo não é considerado um padrão da língua portuguesa. Essa discussão está pautada em produções em que a tonicidade proparoxítona foi encontrada. Resultados inesperados como esses conduzem a hipóteses de produtividade de tipos, efeitos de vizinhança fonológica e processos analógicos (cf. BYBEE, 2001; 2010).