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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: A incorporação da fala popular nos contos de Brás, Bexiga e Barra Funda, de Alcântara Machado
Autor(es): Denise Durante. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave oralidade, escrita, Modernismo
Resumo

A pesquisa tem como objetivo descrever e analisar as relações entre as modalidades falada e escrita da língua por meio da análise do texto literário. Para a consecução desse objetivo, desenvolve-se o estudo da linguagem dos contos publicados no livro Brás, Bexiga e Barra Funda (1927), do escritor Antônio de Alcântara Machado (1901-1935). Essa obra é utilizada como corpus para se identificar e analisar a incorporação de marcas específicas da oralidade na literatura como parte das estratégias de questionamento do Modernismo brasileiro em relação aos preceitos da gramática normativa, advindos dos modelos portugueses. A pesquisa tem como suporte teórico os pressupostos da Análise da Conversação, com a retomada dos estudos de Preti (1984), Marcuschi (2004), Urbano (2006). A análise realizada nesta pesquisa visa refletir sobre os conceitos de oralidade e escrita, considerando-se o aspecto da concepção das mensagens e não somente o meio ou suporte para veiculação dos textos, tendo por base o modelo teórico do contínuo concepcional dos gêneros textuais formulado por Koch e Oesterreicher (1985; 1990). São utilizados igualmente como embasamento teórico os estudos de Barbosa (1973) e Lara (1980), autores que se dedicaram à extensa análise da obra de Alcântara Machado. O estudo se baseia em pesquisa bibliográfica e no método indutivo. Considera-se que a análise das particularidades linguísticas dos referidos contos pode ampliar o entendimento acerca de estratégias frequentes para representação da oralidade nos textos literários. Como resultado da análise dos contos de Brás, Bexiga e Barra Funda, detecta-se que marcas de oralidade e, em especial da fala popular, podem ser incorporadas à escrita literária, sobretudo nos planos lexical e sintático de modo a provocar efeitos de envolvimento interacional entre o narrador e o leitor. Na referida obra de Alcântara Machado, no contexto do Modernismo, a incorporação intencional de usos da fala popular contribuem, ademais, com a reflexão crítica sobre as variedades linguísticas e os preceitos da gramática normativa e prescritiva em voga no início do século XX, no Brasil. Observa-se, ademais, que a representação de marcas de oralidade na escrita literária pode ser compreendida como uma estratégia para promover maior expressividade e verossimilhança ao texto escrito ficcional.