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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Construções concessivas com 'ainda que'
Autor(es): Michel Gustavo Fontes. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave concesso, integrao de oraes, ainda que
Resumo

Este trabalho é parte de um projeto maior que se dedica ao estudo e à análise dos usos do item ainda e de suas formas correlatas no português. Para esta apresentação, tomamos como objeto de estudo a forma ainda que, que, conforme Longhin-Thomazi (2004; 2005), consiste numa perífrase conjuncional de base adverbial.

Segundo Barreto (1999), ainda que é fruto de um processo de reanálise do advérbio temporal ainda, isto é, ainda, com semântica temporal, em posição final numa sentença, seguida de outra sentença, iniciada pela conjunção que concessiva, assimila, por um processo metonímico, o valor semântico concessivo e, juntando-se à conjunção, passa a constituir uma nova conjunção.

Frente a tais considerações, dois objetivos guiam esta apresentação: (i) determinar os traços de concessividade presentes na articulação entre orações por meio de ainda que, e (ii) verificar o grau de gramaticalidade e o estatuto conjuncional de tal forma.

Para cumprir com o objetivo em (i), descrevemos, com base em Neves (1999), as propriedades lógico-semânticas da construção “ainda que p, q”, verificando como tal articulação se enquadra no esquema de König (1984; 1986) para a concessão: “embora p,q” à “se p, então normalmente não q”. Além disso, faz-se necessário um mapeamento das marcas discursivas e formais que garantem a leitura concessiva de orações introduzidas por ainda que. Para tanto, vamos nos atentar aos seguintes fatores: (i) tipo de relação concessiva estabelecida em ‘ainda que p, q’ (cf. NEVES, 2011): factual, contrafactual ou eventual; (ii) nível em que se estabelece a relação concessiva em ‘ainda que p, q’ (cf. SWEETSER, 1990): conteúdo, epistêmico e ato de fala; (iii) correlação modo-temporal entre as orações articuladas (entre p e q), e (iv) ordenação da oração concessiva em relação à principal.

Já com relação ao objetivo em (ii), é importante determinar o grau de integração entre as orações articuladas por ainda que. Segundo Galbiatti (2008), a investigação do grau de integração reflete o estágio de mudança de uma perífrase conjuncional à medida que quanto maior for a integração entre a oração hipotática e a nuclear, mais avançado o processo de gramaticalização. Galbiatti (2008), baseando-se em Givón (1990), Lehmann (1988) e Souza (2007), define dois critérios para a análise do grau de integração entre as orações: tipo de relação temporal e correferencialidade de sujeitos. Como material de análise, recorremos a dados extraídos do Córpus do Português (DAVIES; FERREIRA, 2006).