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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Língua e fala; diacronia e sincronia: a recepção do CLG no Brasil
Autor(es): Marco Antonio Almeida Ruiz, LISSE CRISTINA DA SILVEIRA. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave Epistemologia, Pensamento saussuriano, Recepo do CLG no Brasil
Resumo

O Curso de Linguística Geral (CLG) datado de 1916, enquanto obra que assinala o marco inicial da linguística moderna, merece atenção especial, uma vez que suas ideias suscitaram uma verdadeira revolução no desenvolvimento da ciência linguística. Seus princípios contribuíram para novas discussões em torno do objeto língua e, com isso, proporcionaram diferentes leituras a partir de sua obra. No Brasil, a década de 1940 é marcada por um expressivo interesse pela história da língua portuguesa proporcionando para si o momento de irrupção dessa disciplina. Embora já houvesse estudos e inúmeras pesquisas que buscavam compreender e investigar a linguagem em solo brasílico, é com a publicação de Princípios de Linguística Geral em 1941, de Mattoso Câmara Jr., que uma mudança de paradigma se deu. Desde então, os estudos brasileiros cresceram muito – fato este comprovável pelo volume de apresentações e publicações de trabalhos relevantes em eventos e revistas da área, tanto no Brasil quanto no exterior. Por isso, nesta comunicação, pretendemos abordar o modo como o texto de 1916 foi lido no Brasil tendo em vista que, a versão brasileira somente se deu em 1970 – mais de meio século após a primeira publicação e, posteriormente, a primeira tradução, em 1928 para o japonês. Com a tradução brasileira, o acesso ao texto foi facilitado, gerando assim interpretações inúmeras do CLG e, a fim de compreendermos melhor parte da diversidade das leituras feitas é que nos dedicaremos aos conceitos de língua e fala; diacronia e sincronia. No que tange as leituras feitas sobre os conceitos de língua e fala, há nelas diferentes interpretações, reduzindo-as a uma independência da língua sobre a fala. Já no que diz respeito às leituras feitas sobre diacronia e sincronia, foi possível observar os resultados parciais, em que destacamos três leituras predominantes: 1) exclusão da diacronia;  2)  independência entre os conceitos  e, por fim;  3)  idealização do objeto de estudo gerada pela abstração teórica da diacronia. É assim que a obra suscita muita reflexão, posto que há nela afirmações válidas e abertas o suficiente para permitir novas abordagens, novos aportes teóricos que procuram abordá-la por meio de outros vieses. Logo, nossa proposta pauta-se na compreensão das implicações envolvidas nessas diferentes leituras que a nosso ver contribuem para uma recepção saussuriana no cenário brasileiro. (Apoio: FAPESP - Processo 2014/22526-7)