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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: A língua inglesa na educação paulista: análise político-linguística da Proposta Curricular do Estado de São Paulo
Autor(es): Elias Ribeiro da Silva. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave Poltica Lingustica, Lngua Inglesa, Proposta Curricular do Estado de So Paulo
Resumo

Em uma definição tradicional, como a proposta por Calvet (2007), a política linguística diz respeito à intervenção consciente e propositada de um agente em um determinado contexto sociolinguístico. Por implicação, para se compreender a política linguística em andamento em uma dada comunidade, bastaria analisar os documentos oficiais em que a problemática político-linguística relativamente àquele contexto é abordada. Contudo, nos últimos anos, vem se consolidando um paradigma de pesquisa alternativo. Autores como Schiffman (1996, 2006), Spolsky (2004) e Shohamy (2006) vêm apontando a necessidade de se confrontar a política linguística oficial de uma terminada sociedade à sua política linguística informal, uma vez que, frequentemente, a política linguística oficial não passa de uma carta de intenções. Nos últimos anos, venho investigando a política linguística brasileira para as línguas estrangeiras a partir dessa perspectiva teórica. Em Ribeiro da Silva (2011, 2015 e no prelo), por exemplo, procurei confrontar a política linguística oficial do Estado Brasileiro com práticas estatais que envolvem línguas estrangeiras. De forma geral, o que essas pesquisas indicam é que há pelo menos duas políticas linguísticas no âmbito do aparelho de estado brasileiro: a primeira, oficializada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), valoriza a diversidade linguística nacional e garante o direito de as comunidades locais escolherem as línguas estrangeiras que serão ensinadas em suas escolas; a segunda, não formalizada, mas explicitada em práticas estatais como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), privilegia o inglês e o espanhol devido a fatores geopolíticos. Dando continuidade a esse programa de pesquisa, objetivo, nesta comunicação, iniciar uma discussão sobre a política linguística em funcionamento no aparelho estatal paulista, tendo em vista que São Paulo, diferentemente do que ocorre em nível nacional, oficialmente privilegia a língua inglesa em sua estrutura curricular em detrimento de outras línguas estrangeiras. A partir do modelo ampliado de política linguística proposto por Shohamy (2006) e das considerações desenvolvidas em Ribeiro da Silva (2011) sobre a política linguística brasileira para a língua inglesa, serão analisados os documentos que compõem a Proposta Curricular do Estado de São Paulo com vistas a discutir quais representações sobre essa língua são mobilizadas para justificar a presença hegemônica da língua inglesa na Escola Paulista.