logo

Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Multiculturalismo em livros didáticos de Língua Portuguesa e ensino da norma-padrão: conciliando interesses para desconstruir o mito da unidade linguística nas aulas de língua materna.
Autor(es): Carolina Assis Dias Vianna. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 02/03/2024
Palavra-chave Formao de professores, Lngua materna, Livro didtico
Resumo

Nesta apresentação, trago um relato de experiências como assessora pedagógica de Língua Portuguesa de uma editora de livros didáticos e colaboradora na produção de material didático de Português língua materna. Meu objetivo é discutir especificamente possibilidades de abordagem da norma-padrão nas aulas de Língua Portuguesa (uma demanda ainda muito comum por parte de escolas), sem, no entanto, desconsiderar as variedades do português. Acredito que, realizando em um primeiro momento a conciliação desses interesses, especialmente no contexto da formação dos professores, será possível, a longo prazo, minimizar a necessidade da escola pelo ensino de uma norma estática e inflexível, que não se realiza mais nos usos contemporâneos (cf. ILARI & BASSO, 2009; BAGNO, 2011). A abordagem do multiculturalismo é mais comumente difundida em contextos de estudos de línguas adicionais (CAVALCANTI, 1999, MAHER, 2007); entretanto, concordo com Cavalcanti (2013), quando diz ser necessário “sair da zona de conforto do monolinguismo” (CAVALCANTI, 2013, p. 216), frequentemente presente no ensino de língua materna nas escolas brasileiras, que muitas vezes consideram a norma-padrão uma descrição do que é – ou deveria ser – “o português” (desconsiderando que mesmo as variedades cultas de prestígio não equivalem a essa norma-padrão). Além disso, têm com os alunos uma atitude normativista de correção, sem levar em conta suas origens, os textos que já produzem, os usos que fazem em seu cotidiano; em outras palavras, as práticas de letramento (cf. KLEIMAN, 1995, 2000, 2005) com as quais têm familiaridade mesmo antes de chegarem aos bancos escolares. Uma postura que considerasse tais elementos seria, tal como afirma Bortoni-Ricardo (2004), “culturalmente sensível aos saberes dos educandos”, “atenta às diferenças entre a cultura que eles representam e a da escola” (BORTONI-RICARDO, 2004, p. 38). Nesse sentido, acredito que, da mesma forma, ao produzir um material didático, é interessante se colocar sensível às culturas de seus interlocutores, quais sejam: professores, coordenadores, pais, alunos. A mudança, portanto, não se pode dar de forma abrupta com a produção de um material que desconsidere os anseios de quem o adota. Assim, na tensão entre a produção e a adoção de livros didáticos, pretendo discutir como são tratadas as variedades do português (quais são menos ou mais legitimadas, apagadas e estereotipadas nesse processo), bem como alternativas para se investir na mudança das práticas tradicionais de ensino de Língua Portuguesa, ponto este essencial para se (re)pensar também a formação de professores, levando em conta essa educação linguística ampliada.