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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Uma Língua Inglesa para chamar de minha: equivocações sobre o bom falante de inglês
Autor(es): Helena Regina Esteves de Camargo. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave Polticas Lingusticas, Educao Bilngue, Lngua Inglesa
Resumo

~~Apesar da crescente disseminação de estudos que têm como foco o falante e os recursos linguísticos utilizados por ele para produzir sentido (BUSCH, 2010; 2012, CANAGARAJAH, 2013), nota-se que o ensino de Língua Inglesa no Brasil ainda é, majoritariamente, regido por uma visão monoglóssica de língua. Ainda observa-se que muitos livros didáticos mencionam qual variante, se americana ou britânica, têm como referência e, assim, toda exposição à língua inglesa proporcionada pelo livro mostra apenas um modelo fonético, sintático e pragmático da Língua Inglesa. Da mesma forma, nota-se que escolas de idiomas associam o inglês ensinado por elas a um país, seja pelas cores ou bandeiras presentes em seus logos ou pelos comerciais que anunciam seus professores “nativos”, com sotaques característicos, como uma vantagem ao aprendizado da língua. Percebe-se, portanto, que o ensino da Língua Inglesa no Brasil segue uma tradição de referência à variante do falante nativo dos países hegemônicos como o único modelo de competência linguística e uma meta a ser atingida por todos que se propuserem a aprender inglês bem. Isso corrobora a noção de bilíngue ideal, ou seja, o falante que utiliza duas línguas exatamente da mesma maneira que um falante monolíngue e que não apresenta interferência de uma língua na outra (MELLO, 1999; ROMAINE, 1995). Por desconsiderar que a linguagem é o sistema pelo qual expressamos as representações de mundo que construímos e compartilhamos com membros da nossa cultura (HALL, 1997), essa perspectiva monoglóssica colabora, ainda, com a ideia de que seja possível tornar-se um sujeito “bicultural” ao aprender outra língua. De acordo com essa perspectiva, entenderíamos o mundo de um jeito ao utilizarmos uma língua e de outro jeito diferente ao utilizarmos a outra. Compreendendo a necessidade de uma visão do aprendiz de inglês como sujeito bilíngue, que recorre a um repertório linguístico para construir sentido, nesta comunicação, proponho-me a problematizar a nossa tradição de ensino de Língua Inglesa, que trata qualquer marca local de uso do inglês como deficiência e evidência de alienação (CANAGARAJAH, 2013, p. 12). A análise de excertos extraídos de observações de aula de inglês para adolescentes brasileiros aponta para o fato de que há duas representações equivocadas acerca do processo de ensino e aprendizagem de inglês: (i) misturar as línguas é sinal de incompetência e (ii) marcas locais de uso do inglês sinalizam falhas no processo de ensino e aprendizado da língua.