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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Cancelamento da vogal /i/ na fala da Região Metropolitana do Rio de Janeiro
Autor(es): Raphaela Ribeiro Passos. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave cancelamento de /i/, variao, sociolingustica
Resumo

O estudo, norteado pelos pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística Variacionista, focaliza a vogal [i], subjacente ou resultante de alteamento, em contexto átono precedida por /t d/ e sucedida por fricativa não labial /s z/ na fala da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com base em amostra selecionada de entrevistas realizadas nos municípios do Rio de Janeiro e de Nova Iguaçu, com o objetivo de determinar os fatores que inibem a palatalização de /t d/ nessa área.

Trabalhos sobre a fala culta do Rio de Janeiro indicam que a palatalização de /t d/ é praticamente categórica, o que caracteriza a africada pós-alveolar como norma nessa área. Por outro lado, Bisol (1986) afirma que, na fala do Rio Grande do Sul, a presença de /s z/ em contexto anterior às dentais ou posterior à sequência /t,d + i/ inibiria o processo de palatalização ou determinaria a ocorrência de uma africada alveolar, restrição que teria uma explicação de base fonética. A análise aqui proposta parte da observação de que, no referido contexto, a vogal [i] pode ser apagada, inibindo, de um lado, a concretização palatalizada de /t d/ - que é considerada típica da fala da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, de outro, gerando, uma africada alveolar, como se verifica em: (1) fanatizando > fana[tz]ando e (2) a gente subia > a gen[ts]ubia

Parte-se da hipótese de que o apagamento da vogal seria mais produtivo em sílaba inicial de vocábulo ([dzi]mpate) ou de grupo clítico ([dse]mana), podendo, ainda, ser condicionado pelo ritmo da fala. Para testar as hipóteses formuladas, levaram-se em conta dados colhidos da fala de 36 informante, e definiram-se, além da variável localidade, três outras de natureza social (sexo, faixa etária e nível de escolaridade) e seis de cunho estrutural: (a) vogal alvo (alta subjacente ou resultante de alteamento); (b) consoante antecedente (/t/ ou /d/); (c) consoante subsequente; (d) vogal que acompanha a consoante subsequente; (e) posição da sílaba no vocábulo; (f) número de sílabas do vocábulo

Os resultados da pesquisa permitem concluir que a queda da vogal [i] no contexto /t d/_/s z/ é produtivo e se encontra em uso pelos falantes. No total, após a análise dos 1.410 dados obtidos, verificou-se que o apagamento da vogal foi da ordem de 56.2% (input: .56), sendo implementado por fatores de ordem estrutural.

Referência:  BISOL, L. A palatalização e sua restrição variável. Estudos Linguísticos e Literários. Salvador, 5 :163-177, 1986.