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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Verbos-Suporte e Construções Conversas: Observações Iniciais
Autor(es): Nathalia Perussi Calcia. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave verbo-suporte, converso, Lxico-Gramtica
Resumo

Diversos estudos que descrevem as construções com os verbos-suporte  dar  (RASSI, 2014), ter  (SANTOS-TURATI, 2014) e  fazer   (BARROS, 2014) apontam que grande parte dos nomes predicativos construídos com esses verbos aceitam uma transformação que foi denominada por Gaston Gross (1982,1989) de  conversão.  A conversão é uma operação formal que estabelece uma relação não‑orientada de equivalência sintática e semântica (parafrástica) entre duas frases elementares, tal como dar um tapa/levar um tapa. No exemplo, o verbo “dar” é um verbo-suporte, pois acompanha o nome predicativo “tapa” fornecendo-lhe as marcas de tempo-modo-pessoa-número, que o substantivo, pela sua própria morfologia, não pode expressar. A principal diferença entre uma construção verbal e uma nominal (construção com verbo‑suporte) é que o núcleo predicativo de uma frase verbal é o próprio verbo, enquanto o núcleo predicativo de uma construção nominal é o nome predicativo.

Ainda, nessa relação o nome predicativo é mantido e a posição dos argumentos é alterada, sem alterar os papeis semânticos. Ainda, nessas construções, a sentença de orientação ativa e o verbo-suporte “dar” são consideradas construções standard; enquanto a sentença equivalente, de orientação passiva, é considerada conversa.

Após esse tipo de construção ser estudada por G. Gross (1982, 1989), que identificou um número significativo de construções para o Francês, também foi analisada por Ranchhod (1990) e Baptista (1997) para o Português Europeu (PE), e ainda por Ciocanea (2001) que contribuiu para a descrição da língua romena. Alguns trabalhos descritivos que estudam as propriedades do verbo-suporte em Português Brasileiro mencionam esse tipo de construção, como Scher (2004) e Davel (2009). Em Rassi et al (2014) é apontado um número significativo de construções que admitem o verbo “dar” na posição standard e o verbo “ter” na construção conversa. Os nomes predicativos construídos com ‘dar’ podem aceitar outros verbos no lugar de ‘ter’, como: receber, ganhar, levar e tomar.

Este trabalho se baseia em uma metodologia de descrição sintático-semântica que sustenta a de Harris (1961), conhecida como Léxico-Gramática (Gross, 1975, 1981).

Os resultados do estudo de construções com verbo-suporte podem contribuir na análise de textos, identificando as informações e a forma da estrutura, e consequentemente, enriquecendo a descrição do Português Brasileiro. Além disso, a representação dos resultados em matrizes binárias prevê uma descrição formal, que poderá ser utilizada em aplicações no Processamento Automático de Língua Natural.