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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Análise Dialógica Discursiva sobre gêneros em La majorité opprimée
Autor(es): BRBARA MELISSA SANTANA. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave Crculo de Bakhtin, Gneros, Sujeito
Resumo

Eleonore Pourriat, diretora do curta metragem La majorité opprimée apresenta, como conteúdo temático da obra, uma crítica às relações entre os gêneros (masculino e feminino). Discrepâncias existentes ao longo dos séculos em relação a homens e mulheres são tratadas a partir de uma troca de lugar entre o “eu” e o “outro”. Este trabalho propõe, ao considerar as relações entre gêneros (feminino e masculino), analisar alguns aspectos de naturalização do machismo, a partir da temática e da forma que constituem o enunciado fílmico supramencionado, a fim de discutir a violência existente nas relações de gêneros, em especial a violência atroz praticada contra a mulher. Tratar-se-á de valores invertidos, de acordo com a representação fílmica, tomada como corpus de pesquisa. Refletir acerca dos papéis de masculinidade e feminilidade a partir de La majorité opprimée, sob a perspectiva dos estudos bakhtinianos, fundamentados, em especial, nas concepções de gênero discursivo, signo ideológico, sujeito e dialogia, é o objetivo desta proposta, que diz respeito a uma pesquisa de mestrado em pleno desenvolvimento. Propõe-se também verificar como os aspectos ideológicos empreendidos no filme refratam o cenário social contemporâneo, numa perspectiva histórica. A justificativa se dá pelo estudo aprofundado de questões atuais urgentes, como a opressão do sistema patriarcal – tanto para homens quanto (e principalmente) para mulheres. A pesquisa proposta apresenta caráter interpretativo e é composta por etapas de descrição e análise que partem de um enunciado fílmico em particular. A hipótese inicial do projeto se calca no estudo de inversão das relações de gênero (feminino e masculino) na obra como forma de crítica ao patriarcado, realizada por meio da troca dos papéis de poder entre os sujeitos em diversas situações. Além disso, os aspectos denunciados no filme revelam a irreverência ácida que choca e chama a atenção a uma realidade “naturalizada”, pois toca em questões culturais historicamente estabelecidas. Ao trocar os papéis de homens e mulheres, a diretora causou um fenômeno de recepção em diversos países, que ficaram escandalizados alguns anos depois da existência do curta, conforme dados midiáticos sobre os quais também se pretende debruçar, com o propósito de analisar axiologias vigentes na contemporaneidade. O que causa estranhamento é pensar como algo que, para alguns, é flagrante e grave, para outros é “normal”, digno de piada. As reações dos sujeitos, especialmente de homens (de acordo com pesquisa midiática realizada), ao assistir ao curta, flagra o quanto a discussão acerca dessa temática é urgente.