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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Os estranhos mundos de Tim Burton: uma análise dialógica de personagens animadas
Autor(es): Natasha Ribeiro de Oliveira. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave dilogo, enunciado, animao
Resumo

Esta pesquisa se propõe a analisar, fundamentada nos estudos da linguagem do Círculo de Bakhtin (em especial, em noções como enunciado, signo ideológico, sujeito, autor e cronotopia), as personagens de três obras fílmicas de Tim Burton: Jack Skellington, Sally e Zero, do filme O estranho mundo de Jack (1993); Victor van Dort, Emily e Scrap, de A noiva cadáver (2005); e Victor Frankenstein, Elsa e Sparky, de Frankenweenie (2012). A partir dessas personagens, pretende-se adentrar no universo arquitetônico burtoniano, numa análise verbivocovisual, focada na filosofia bakhtiniana. As personagens delimitadas como foco desta pesquisa se relacionam dentro de cada filme e entre os filmes, pois são recorrentes em Tim Burton. Isso pode ser percebido quando as personagens são analisadas em conjunto (elementos como frases recorrentes, típicas de cada uma delas; características físicas que se repetem; assim como a repetição de nomes e de outros traços composicionais que remetem uma à outra; fazem com que se pense na interação entre sujeitos e enunciados fílmicos). O objetivo do estudo proposto é compreender a interdiscursividade/intertextualidade presente nas obras, em especial ao que tange às personagens, que trocam de papéis dentro de cada animação e em filmes diferentes. A hipótese é a de que as personagens a serem analisadas são concebidas de forma dialógica, pois complementam umas às outras (elas se constituem a partir e por meio de outras, sejam essas parceiras ou antagonistas) e essa constituição não se fecha apenas numa obra, mas entre os filmes. Entender como a ideologia é refletida e refratada no ambiente em que ocorrem as histórias, assim como se faz presente durante o processo de (des)construção de tais personagens é também um dos focos desta pesquisa, pois é o caráter ideológico que as exclui da sociedade em que vivem, tornando-as sujeitos “estranhos”, deslocados em seus mundos, em geral, por suas diferenças de comportamento valorativo. Além disso, na relação tempo-espaço, a temática do não-pertencimento como traço estilístico do diretor e foco das tramas que acompanha as personagens durante suas jornadas pode colaborar para a compreensão da construção arquitetônica do universo de Tim Burton. Afinal, pensar o não-pertencimento como pertencimento em personagens e em mundos diferentes, que se relacionam intrinsecamente, de certa maneira, revela uma forma e um estilo autoral típicos, que pode contribuir para a compreensão da construção do universo da animação – ao menos, a animação de Tim Burton.