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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Objetos indiretos em cartas pessoais: um tratamento sociolinguístico
Autor(es): Francisca da Cruz Rodrigues Pessoa. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave Objeto indireto, variao lingustica, carta pessoal
Resumo

 Este trabalho tem como objetivo descrever e analisar, em cartas pessoais, a variação entre as realizações clíticas e não clíticas de objeto indireto. Para a constituição do corpus, utilizamos cem cartas escritas por crianças, jovens e adultos do sexo feminino de Belo Horizonte e região metropolitana de Belo Horizonte, extraídas do Banco de Dados do Projeto Cartas ao Papai Noel da Universidade Federal de Minas Gerais (VITRAL, 2014). Esse corpus é formado por cartas endereçadas à Agência de Correios com o objetivo de encaminhar pedidos de presentes ao Papai Noel. As variáveis linguísticas observadas foram: a referência do objeto indireto (Papai Noel ou outra), a posição do objeto indireto (pré-verbal ou pós-verbal), a realização do sujeito (expresso ou nulo), a pessoa (1ª, 2ª ou 3ª) e o tipo de verbo (expressão, movimento, transferência e outros). Já as variáveis extralinguísticas observadas foram: a região geográfica do remetente das cartas (Belo Horizonte ou região metropolitana de Belo Horizonte), a idade do missivista (criança ou outro) e o tipo de presente solicitado na carta (alimento, material escolar, roupa/calçado ou outros). Utilizamos como ferramenta estatística para o tratamento da regra variável o programa Goldvarb 2001. Este estudo assume os pressupostos teórico-metodológicos da sociolinguística variacionista (LABOV, 1972; 1994; TAGLIAMONTE, 2006). A noção de comunidade de fala é a de Guy (2001). Analisamos 234 ocorrências, sendo 188 com a variante clítica e 46 com a variante não clítica. Na análise constatamos que houve um maior uso da variante clítica, com 80% do percentual geral das ocorrências. O fator pessoa mostrou-se significativo. A realização de clítico de primeira pessoa alcançou o percentual de 85%, de segunda pessoa, 78% e de terceira pessoa, 14%. Os resultados desse estudo foram comparados a resultados de amostras de cartas de outra localidade, mais exatamente, Maceió (NASCIMENTO, 1999), o que permitiu apontar semelhanças entre a periferia de Belo Horizonte e Maceió.