logo

Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Lógica e modalidade: as perspectivas de Aristóteles, Blanché e Greimas
Autor(es): Eliane Domaneschi Pereira. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave Lgica, Modalidade, Greimas
Resumo

Se nos propusermos a remontar à origem da questão  das modalidades como teorizadas por Greimas no domínio da Semiótica da Escola de Paris, “On Interpretation”, de Aristóteles, pode ser indicado como um texto seminal acerca do tema.  Nele, o filósofo estagirita define a noção de proposição como composição que contém forçosamente um verbo ou modo verbal (diferentemente da simples sentença), à qual é possível atribuir valor de verdade ou falsidade. Ele ainda delineia dois tipos de relação de oposição que as proposições podem assumir, contradição e contrariedade, e faz algumas considerações sobre uma espécie de proposição específica: a modal, compreendida como aquela que contém expressões como “necessário”, “possível” ou “contingente”.

Tais reflexões de “On Interpretation” originam o quadrado lógico aristotélico: em que proposições modais se encontram dispostas em quadratura de acordo com o tipo de relação de oposição que contraem. As descobertas de Aristóteles concernentes ao funcionamento dos pares de proposições contraditórias e a classificação formal à qual elas conduzem respeitam os princípios que ficaram conhecidos mais tarde como o Princípio da Não-Contradição e o Princípio do Terceiro Excluído no âmbito da lógica formal. Elas também norteiam estudos linguísticos sobre o funcionamento das modalidades, objeto de interesse de disciplinas como a Semântica, por exemplo.

Os resultados a que chega Aristóteles serão, assim, posteriormente retomados, criticados, desenvolvidos e reformulados por diversas teorias em paradigmas distintos. Apesar de incomensuráveis, retomamos neste trabalho duas abordagens teóricas ulteriores que fazem remissão ao conteúdo de “On Interpretation”: “Structures intellectuelles” (1969), de Robert Blanché, que critica o quadrado lógico aristotélico, propondo em seu lugar uma estrutura em tríade, e as modalidades tais como teorizadas pela Semiótica da Escola de Paris, especialmente seu arranjo na estrutura fundamental da significação: o quadrado semiótico greimasiano.

Tomando-se três perspectivas epistemológicas e metodológicas distintas mas que se debruçaram sobre um mesmo objeto, a questão das modalidades, pretendemos observar a quais problemas esses modelos descritivos fazem face e quais permanecem irresolutos, destacando também a diferença de pertinência do parâmetro lógico para a abordagem e compreensão de um fenômeno linguístico: enquanto se destaca em Aristóteles a pertinência lógica que estrutura seu quadrado, Blanché opõe “lógica formal” a “lógica operatória” preterindo a primeira em relação à última, esta considerada mais próxima à estrutura do pensamento humano, e Greimas descarta de partida a lógica para a análise e explicação das modalidades em seu artigo paradigmático sobre o tópico, Pour une théorie des modalités, de 1976.