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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: A PRÁTICA DE REFORMULAÇÃO DE ENUNCIADOS NA CONSTRUÇÃO DE SENTIDO EM LÍNGUA PORTUGUESA (L2): o ensino-aprendizagem para surdos em perspectiva bilíngue
Autor(es): Carolina de Oliveira Jimenez e Silvestre. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave Bilinguismo Libras/Lngua Portuguesa, Ensino-aprendizagem de Lngua Portuguesa (L2), Teoria das Operaes Enunciativas
Resumo

Esta pesquisa discute o ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa como L2 para surdos que utilizam a Libras como L1, em perspectiva bilíngue, o que implica tomar por fundamento as especificidades da cultura linguística surda em atividades envolvendo a L2. A fundamentação teórica centra-se no conhecimento do funcionamento do léxico da Língua Portuguesa baseado na Teoria das Operações Enunciativas (DE VOGÜÉ, FRANCKEL, PAILLARD, 2011), referencial direcionado ao estudo das operações linguísticas e cognitivas mobilizadas na produção de sentido. O objetivo é contribuir para o desenvolvimento da compreensão textual em Língua Portuguesa por surdos, especificamente no trabalho envolvendo unidades lexicais verbais em sua variedade de usos. A metodologia analítica adotada pauta-se em atividades reformulativas de enunciados diversos aos quais se integra o verbo QUEBRAR a partir de um corpus coletado em bases textuais e em artigos acadêmicos dedicados a esta unidade (ROMERO, 2010, 2011). Por meio da análise de grupos de funcionamento semântico-enunciativo próprios a este verbo, propomos uma reflexão, por meio da Libras, tomando por fundamento reformulações e paráfrases sistemáticas que dão a ver as regularidades constitutivas de cada grupo e do verbo em si. A fim de ilustrar esse funcionamento, indicamos características específicas a cada grupo, exemplificando-as brevemente: o grupo (1) é marcado por uma unidade solidária constituída por regras que é anulada (Ele quebrou o contrato, o acordo); o grupo (2), por uma unidade solidária constituída por práticas circunstanciais constantes, que cessam (Ele quebrou a rotina, a tradição); o grupo (3), por uma unidade solidária sustentada por uma relação entre todo-parte (Ele quebrou o vaso, a página [do texto]). Cada grupo manifesta um aspecto da variação e, ao mesmo tempo, da identidade semântica do verbo, esta última pelo fato de se verificar, em todos, a necessidade de se partir de uma unidade solidária. Pretende-se, assim, mostrar, de um lado, que o verbo se define por um funcionamento de ordem enunciativa que faz com que seu sentido seja construído a cada emprego que dele é feito; de outro, que o ensino apoiado nesse funcionamento é de grande interesse para a aprendizagem da L2. Como contribuição para o desenvolvimento da compreensão do aprendiz surdo, esperamos evidenciar os ganhos de um trabalho lexical que desloca as reflexões centradas em sentidos inerentes aos verbos para reflexões centradas em práticas de reformulação e manipulação de enunciados que dão a ver regularidades do funcionamento verbal da língua a ser aprendida.