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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Três escritores na obra de João Gilberto Noll
Autor(es): Jaqueline Castilho Machuca. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 24/02/2024
Palavra-chave Noll, escrita, nomadismo
Resumo

João Gilberto Noll é um escritor de personagens em trânsito. Com dezoito obras publicadas, das quais três são livros de contos, o autor gaúcho tece narrativas que desconstroem fronteiras espaciais e temporais com o intuito de ter, como produto final, um enredo no qual o desnudamento dos personagens resulte em um esvaziamento completo de projetos e de identidade, já que os personagens-nômades parecem estar à mercê dos eventos que cruzam seus caminhos, numa espécie de casualidade que vai de situações aparentemente esdrúxulas a eventos do cotidiano. O trabalho aqui proposto, fruto de reflexões iniciais da tese de doutoramento, visa analisar três romances de Noll: Bandoleiros (1985), Berkeley em Bellagio (2002) e Lorde (2004). O fio norteador da análise comparada das obras em questão é o fato de os três protagonistas serem escritores, embora pouco exerçam a função. Além disso, tais personagens partem para empreitadas fora do Brasil e os percalços, junto a sensações diversas decorrentes desses deslocamentos, são descritos por esses narradores em primeira pessoa que, de alguma forma, buscam o desconhecido no exterior e no próprio exercício da escrita (que pouco acontece, haja vista a dificuldade de produção encontrada por eles). Essa busca constante, através do desenraizamento do que seria familiar, é tema recorrente em Noll, assim como o transbordamento da sexualidade via relações fugazes e a morte, que também cruza o caminho dos protagonistas, seja pelo contato direto com coadjuvantes, seja pela deterioração do próprio corpo. Alguns críticos abordam, a respeito de Noll, algumas das questões apresentadas brevemente acima: Nizia Villaca (1996), Mauricio Salles Vanconcelos (2000), Manuel da Costa Pinto (2004) e Karl Erik SchØllhammer (2011). Os deslocamentos, bem como o esvaziamento dos sujeitos protagonistas através de relações peculiares estabelecidas com os demais personagens, são relacionados ao momento artístico/cultural contemporâneo abordado por autores como Flora Süssekind (1993), Tania Pellegrini (1999) e Edu Teruki Otsuka (2001).