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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Vozes múltiplas: oralidade e discurso indireto livre na literatura de Boaventura Cardoso
Autor(es): Everton Fernando Micheletti. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave Oralidade, Literatura angolana, Boaventura Cardoso
Resumo

A escrita literária do angolano Boaventura Cardoso é marcada por elementos que remetem à oralidade. Em seus contos e romances, escritos em língua portuguesa, surgem interjeições, desvios em relação às normas, palavras advindas das línguas africanas, provérbios, entre outras características próprias do uso oral da língua. Essa “presença” da oralidade na escrita é um traço comum das literaturas africanas, em especial da angolana, sendo encontrada nas obras de diversos autores. As razões para essa “presença” vêm sendo estudadas há certo tempo, sendo uma delas decorrente da valorização das tradições orais que predominavam na África antes da imposição da escrita, as sociedades africanas possuíam técnicas e formas de permanência de seus conhecimentos através da oralidade. Grande parte dos escritores, então, procura produzir uma literatura que, de certo modo, mantém-se “ligada” a essas tradições orais, recriando-as na escrita. Cada autor, porém, traz a oralidade à representação na escrita à sua maneira, por isso se objetiva analisar, nas obras de Boaventura Cardoso, como as características próprias dos usos orais da língua surgem nos textos. Um recurso que chama atenção e que será analisado é o discurso indireto livre, o narrador alterna constantemente a voz, em certos trechos é intensificado, ocorrem várias alternâncias seguidas, multiplicando as vozes. Como Pascal (apud Aguiar e Silva. Teoria da Literatura. 1984, p. 764), ao abordar esse tipo de discurso, fala em “voz dual”, sobre a “mistura” da voz do narrador e a da personagem, propõe-se verificar se, nas narrativas de Cardoso, pela intensificação e alternâncias constantes, pode-se ir além da dualidade e afirmar que se tratam de vozes múltiplas. Nesse caso, remete-se ao conceito de “polifonia” de Bakhtin, que também será considerado na análise. Os demais referenciais teóricos e críticos abrangem autores que, em sua maioria, fazem parte dos chamados estudos pós-coloniais, destacando-se Laura Padilha, Ana Mafalda Leite, Benjamin Abdala Jr., Rita Chaves e Tania Macedo.