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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Práticas Linguísticas em famílias de expatriados coreanos
Autor(es): Tatiana Martins Gabas . In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 24/02/2024
Palavra-chave polticas lingusticas familiares, prticas lingusticas, comunidade de trabalhadores transplantados
Resumo

A partir da década de 1990, a chegada exponencial de sul-coreanos para a Região Metropolitana de Campinas (RMC), devido à instalação de empresas multinacionais, resultou na formação de uma comunidade de trabalhadores transplantados (AMADO, 2011) nessa região. A comunidade é composta por funcionários e seus familiares, que residem temporariamente no Brasil, tendo imigrado em diferentes épocas, de diferentes regiões da Coreia do Sul, e, em alguns casos, com experiências de expatriação anteriores a do Brasil. Nesse contexto plurilíngue, as práticas linguísticas dos membros dessa comunidade de trabalhadores transplantados não ocorrem em apenas uma língua isoladamente e as famílias se veem instadas a tomar decisões acerca das línguas que passam a compor seus repertórios no Brasil: coreano, português e inglês. Dessa forma, neste trabalho, pretendo discorrer sobre os domínios nas quais as línguas que compõem o repertório de algumas famílias de imigrantes sul-coreanos expatriados pertencentes à comunidade em questão são utilizadas e como são utilizadas diferentemente pelos seus membros, uma vez que cada membro de uma família influencia a prática dos outros membros (SPOLSKY, 2012). Buscarei chamar a atenção para o fato de que há uma crença equivocada de que Políticas Linguísticas são postas em ação apenas pelo Estado (top down policies), embora inúmeros estudiosos, como Canagarajah (2005) e McCarty (2011), por exemplo, vêm frisando a importância   de se considerar que elas também são estabelecidas localmente (bottom up policies). A família se constitui como um domínio local produtivo nesses termos, principalmente em contextos de transmigração. As decisões tomadas por uma família acerca da(s) língua(s) a serem usadas ou estudadas no domínio familiar, se constituem como um campo específico de estudos nomeado Políticas Linguísticas Familiares (PLF), uma área de investigação com produções ainda escassas, principalmente no Brasil (COELHO, 2009; MORONI, 2012). Apoiada nos conceitos de ideologias linguísticas, gerenciamentos linguísticos e práticas linguísticas (SPOLSKY, 2004), Interessa aqui promover reflexão sobre a maneira como decisões acerca do modo de utilização de diferentes línguas em diferentes domínios sociais orientam o estabelecimento de Políticas Linguísticas Familiares e/ou são por elas orientadas.