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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Quando políticas linguísticas se refletem em práticas: representações sobre línguas e identidades na fronteira do Brasil com o Paraguai
Autor(es): Eli Gomes Castanho. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave polticas lingusticas, representao , ideologia lingustica
Resumo

Esta comunicação apresenta os resultados preliminares de tese em andamento, cujo tema é a representação de universitários da área de ciências agrárias, na fronteira do Brasil com o Paraguai, sobre as línguas portuguesa, espanhola e guarani. Para isso, recorro às contribuições da Linguística Aplicada Indisciplinar (MOITA LOPES, 2006) e a leituras acerca do hibridismo cultural (GARCÍA-CANCLINI, 2011, 2009) e a construção de identidade na modernidade tardia (HALL, 1997, 2005). Do ponto de vista analítico, faço incursões à Análise do Discurso, na perspectiva de Maingueneau (2008, 2007), para verificar: (i) como os posicionamentos sobre as línguas são construídos com bases em ideologias linguísticas (WOOLARD,1998; KROSKRITY, 2004) que, implícita ou explicitamente, refletem políticas linguísticas do Brasil e do Paraguai (BEREMBLUM, 2003 e RODRIGUEZ, 2008); (ii) como um ethos discursivo é construído sobre as identidades brasileira e paraguaia. Os resultados têm indicado, de modo geral, as seguintes representações sobre as línguas locais: (i) o português: o paraguaio vê a necessidade de ser bilíngue em razão do contexto fronteiriço e do contato com brasileiros no mercado de trabalho, sugerindo certo “imperialismo” brasileiro; (ii) o espanhol: é visto como língua necessária ao contexto global/local por paraguaios, embora se faça diferenciação entre 'espanhol', entendida como variante ibérica e 'castelhano', a variante da América Latina; o espanhol falado no Paraguai não é visto como "puro", especialmente por brasileiros, em razão da mistura com o guarani; (iii) o guarani: o brasileiro  o vê, pejorativamente,  como "língua de bugre", por vezes, não é considerado língua, mas dialeto em razão do status pouco privilegiado; já os paraguaios, veem essa língua como marca de sua identidade, ressuscitando um discurso nacionalista que vigorou durante a ditadura de Alfredo Stroessner. Por fim, os posicionamentos sobre a língua e identidade permeiam o binômio tradição/tradução (HALL, 1997): há um discurso de resistência e defesa das línguas e identidades e, por outro lado, um discurso de culto à mistura e à constituição de língua e sujeitos mestiços, (trans)fronteiriços.Espera-se que os resultados da pesquisa relatada possam gerar conhecimentos que contribuam para um fazer pedagógico, sobretudo nas escolas de fronteira, de modo que se veja a diversidade cultural e linguística como um diferencial positivo do contexto, e não como problema, de modo a minimizar preconceitos contra as línguas e seus falantes.