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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Contribuições da Neurolinguística Discursiva para a teorização, avaliação e terapia de sujeitos afásicos com apraxia orofacial
Autor(es): ELENIR FEDOSSE. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave Apraxia orofacial, Afasia , Avaliao e Terapia
Resumo

Introdução: A definição clássica de apraxia corresponde à incapacidade ou dificuldade de certos sujeitos com lesão cerebral para realizarem, sob comando verbal e/ou imitação, atos motores voluntários (movimentos aprendidos ou gestos), apesar de se manterem intactas a força e a coordenação muscular dos órgãos necessários à execução motora. O fenômeno marcante das apraxias é, portanto, a dissociação automático-voluntária. Atualmente, são classificadas como: “apraxia verbal”, “apraxia orofacial ou bucofacial” e “apraxia de membros”. No caso da apraxia orofacial, os procedimentos tradicionais de avaliação (baterias de testes) são assentados em atividades metapráxicas, fato que acaba por realçar as dificuldades e favorecer o distanciamento/assimetria entre os interlocutores – o sujeito com apraxia/avaliado  e o terapeuta/investigador. Tais condições avaliativas, que não contribuem para que se estabeleça uma interlocução eficaz, leva a intervenções terapêuticas similares – treinamento de movimentos ou gestos descontextualizados o que, por sua vez, interfere negativamente na manifestação gestual e linguística dos sujeitos acometidos. Objetivo do trabalho: Analisar as atividades práxicas orofaciais e de linguagem de sujeitos afásicos não fluentes avaliados e acompanhados terapeuticamente sob a perspectiva da Neurolinguística Discursiva. Aspectos metodológicos: Será realizada análise qualitativa de enunciados orais (registrados em vídeo), marcados pela presença de praxia orofacial, produzidos em sessões de avaliação e terapia, que recorrem a contextos de fazer como se,  à remissão a  cenas enunciativas, à valorização de critérios antropológicos e culturais, incluindo, pois, esclarecimentos, ao sujeito afásico/apráxico, sobre o que deve fazer, como fazer e por que  fazer os gestos solicitados pelo investigador/terapeuta. Tais procedimentos, assentados nos princípios da Neurolinguística Discursiva, serão analisados segundo essa mesma perspectiva teórica. Discussão: A linguagem participa – direta ou indiretamente – na organização de todos os processos cognitivos. É fato a inter-relação do quadro fásico com o práxico, sobretudo, no caso específico deste estudo, em que a motricidade/praxia orofacial é inerente à linguagem oral. Decorre disso que a avaliação práxica deve ser realizada nos diferentes quadros de alterações linguístico-cognitivas, quando norteada pelos princípios da ND. Esses princípios possibilitam apreender processos (alternativos ou não) de que sujeitos afásicos/apráxicos lançam mão para produzirem e interpretarem sentidos. Dito de outra forma: processos avaliativos e terapêuticos que contemplam aspectos neurofisiológicos (continuidade sensório-motora, por exemplo) e sócio-histórico-culturais (hábitos diários, situações efetivas de comunicação pela linguagem), igualmente envolvidos nas atividades linguísticas e gestuais, repercutem favoravelmente na reorganização dos processos cognitivos de sujeitos com lesão cerebral.