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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Engajamento e processamento discursivo: diálogos entre a Linguística Sistêmico-Funcional e a Linguística Cognitiva
Autor(es): Paulo Roberto Gonalves Segundo. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 01/03/2024
Palavra-chave engajamento, processamento, Teoria da Mente
Resumo

             O objetivo deste trabalho é examinar os recursos de engajamento, ligado ao sistema de avaliatividade (Martin & White, 2005) inerente à metafunção interpessoal da linguagem (Halliday & Matthiessen, 2004), buscando depreender de que modo as relações intersubjetivas e dialógicas promovidas pela sua instanciação podem ser explicadas a partir de um modelo de processamento linguístico-discursivo, a Teoria do Espaço Dêitico (Chilton, 2014), que permite lidar com a manifestação linguística de propostas associadas à Teoria da Mente (Tomasello, 1999, 2008).

                      O subsistema de engajamento é responsável pela articulação entre diversas concepções da realidade, permitindo ao falante tanto simular a inexistência de alternativas dialógicas (monoglossia) quanto reconhecer sua existência (heteroglossia), de modo a ponderá-las ou incorporá-las à sua produção (expansão dialógica) ou rejeitá-las em maior ou menor grau (contração dialógica). Tal proposta está ligada a pressupostos teóricos centrais da Teoria da Mente, que compreende, dentre outros aspectos, que a semiose e as atividades humanas são cooperativas e dependentes do reconhecimento de que há outras mentes, cujas intenções e concepções podem ser interpretadas, antecipadas e avaliadas.

                      A Teoria do Espaço Dêitico (Chilton, 2014), assim como propostas que dela se desdobram ou se aproximam, como a Teoria da Proximização (Cap, 2013; Hart, 2014), propõem que o processamento linguístico-discursivo, de modo similar a Fauconnier (1994 [1985]) e Fauconnier & Turner (2002), opere por espaços mentais; entretanto, tais construtos são concebidos a partir de um embasamento dêitico centrado no self, modelado a partir da intersecção entre três eixos: em Chilton (2014), um atencional, um temporal e um epistêmico; em Hart (2014) e em Cap (2013), um espacial, um temporal e um avaliativo-moral, muito embora o primeiro autor também integre, a este último, uma dimensão epistêmica. A proposta de Chilton, em especial, vale-se de esquemas visuoespaciais, de base geométrica, para explicar uma série de fenômenos linguísticos — modalidade deôntica, contrafacualidade, encaixamento (ou projeção) sentencial em processos mentais, verbais e relacionais, dentre outros —, associando operações cognitivas compatíveis com a Teoria da Mente a usos linguísticos.

                      Nesse sentido, o que se objetiva neste trabalho é explicar como alguns fenômenos de engajamento podem ser modelados a partir de um esquema de processamento de ordem dêitica e intersubjetiva.