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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Expressão e conteúdo animatoriais: um estudo do sentido do movimento em desenhos animados
Autor(es): Mrio Srgio Teodoro da Silva Junior. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 29/02/2024
Palavra-chave Narratividade, Tensividade, Animao
Resumo

A partir de cenas de dois filmes animados dos estúdios da Walt Disney, The sword in the stone (A espara era a lei, 1963) e Sleeping beauty (A bela adormecida, 1959), temos por objetivo, nessa comunicação, o estudo de formas de movimento recorrentes nos desenhos animados.

Lidamos com um texto sincrético, um todo conciso de significação, com conteúdo único, mas diferentes materialidades de expressão mobilizadas, que não estão, necessariamente, sincretizadas e sobrepostas, conforme visto em José Luiz Fiorin, “Para uma definição das linguagens sincréticas” (2009), e em Lúcia Teixeira, “Para uma metodologia de análise de textos verbovisuais” (2009). Ou seja, mesmo sendo um texto sincrético, o filme de animação possui semióticas de naturezas distintas, coordenadas para construção de um conteúdo unificado. Desse modo, depreendem-se substâncias de expressão sonora e visual dos filmes, que formam cinco semióticas distintas: musical, verbal, plástica, animatorial e cinematográfica, com significados sincretizados no conteúdo e significantes discerníveis na expressão. A separação adotada nas análises é didática, para explicitar formas específicas animatoriais.

Ollie Johnston e Frank Thomas, The illusion of life: Disney animation (1981), apontam quatro princípios de animação: antecipação (anticipation), piada surpresa (surprise gag), (des)aceleração (slow in/out) e  exageração (exaggeration). A partir deles, identificamos quatro formantes animatoriais nas cenas: antecipação e piada surpresa, adaptados, respectivamente, para movimento antecipatório e movimento vexatório, que correspondem a constituintes de um sintagma animatorial, cujo efeito é o riso; e (des)aceleração e exageração, adaptados para andamento e espacialidade, à luz de Claude Zilberberg, Síntese da gramática tensiva (2006), Para introduzir o fazer missivo (2006) e, em coautoria com Jacques Fontanille, Tensão e significação (2001), que consideramos ser caracterizadores do que chamamos sintagma animatorial risível.

Verificamos, em seguida, como esse sintagma demonstra dois níveis de profundidade na expressão, um motor, da organização dos movimentos, e um rítmico, da conjugação tensiva dos caracterizantes, criando ritmos canônicos, que revelam o posicionamento do sujeito da enunciação em relação ao riso. Encontramos também níveis de conteúdo: um semio-narrativo, correlato ao sintagma, e um tensivo-missivo, correlato às oposições graduais do ritmo animatorial.

Dessa forma, podemos contribuir para uma gramaticalização do plano da expressão animatorial, possivelmente aplicável a outras semióticas não-verbais, estabelecendo níveis de profundidade no plano do conteúdo e da expressão, a partir das contribuições da semiótica tensiva e narrativa.

(Apoio: FAPESP e CAPES. Processo nº2014/13482-0, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP)