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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Aspectos históricos do sincretismo em um conjunto de línguas pano e takana
Autor(es): Raphael Augusto Oliveira Barbosa. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 24/02/2024
Palavra-chave Lnguas pano e takana, Reconstruo histrica, Sincretismo
Resumo

O objetivo desta comunicação é apresentar os resultados preliminares de um estudo histórico-comparativo sobre o sincretismo de marcadores de caso em um conjunto de idiomas das famílias linguísticas pano e takana. As línguas dessas famílias (pano com aproximadamente 30 idiomas (Fleck 2013) e takana com cerca de cinco (Girard 1971)), faladas na região fronteiriça do Peru, Brasil e Bolívia, vem sendo relacionadas geneticamente, principalmente em termos fonéticos e lexicais, desde a proposta de Schuller (1933). A presente análise adota o quadro teórico-metodológico da linguística comparativa de base histórica e tipológica para investigar a relação evolutiva do sincretismo das línguas pano e takana presente em seus marcadores nominais de caso ergativo, genitivo, instrumental e locativo. A maior parte das descrições de línguas pano apresenta, basicamente, o segmento coronal nasal {-n} ou traço nasal, que nasaliza a vogal da última sílaba aberta da base, como o marcador tanto de casos nucleares quanto de casos oblíquos. As línguas takana, apesar de serem descritas com uma menor uniformidade na forma desses marcadores, apresentam esse sincretismo em casos nucleares e oblíquos com uma vogal baixa {-a}, que em algumas línguas é precedida de uma consoante cuja forma corresponde a uma aproximante palatal ou uma líquida vibrante {-Va}. Em comparação à estrutura e função do processo de marcação de caso genitivo, a categoria lexical que expressa a noção fundamental de ‘entrar/estar na posse de’ corresponde ao verbo de significado básico ‘ter/possuir’, que nessas línguas apresenta forma fonológica análoga às formas e variantes alomórficas do sincretismo supracitado. Essa identidade formal apresenta indícios de gramaticalização dessa categoria, tendo em vista a ocorrência, a exemplo da língua arara shawanawa (pano) (Cunha 1993:100), de sua forma anexada à direita do constituinte principal de construções possessivas. Nesse sentido, apresento uma hipótese de derivação histórica dos marcadores de casos nucleares e oblíquos, referentes ao sincretismo dessas línguas, com base em um processo de derivação nominal a partir de uma composição verbal, V[principal] V[auxiliar], cujo verbo auxiliar apresenta um traço semântico básico correspondente ao significado ‘ter/possuir’ e cuja forma fonológica se gramaticalizou como sufixo/ênclise. Nesses termos, essa estrutura teria evoluído mediante processos de reanálise e concordância para os marcadores de caso dessas línguas, conforme a noção prototípica ‘ter/possuir algo’ e desenvolvida em construções de nominalização instrumental como ‘realizar uma ação com essa posse em alguma pessoa/coisa/lugar’.

(Apoio: FAPESP - Processo 2012/23156-3)