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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: A TARTARUGA E OS CARAMUJOS: UM ESTUDO SEMIÓTICO
Autor(es): Jssica Cristina Celestino. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 25/02/2024
Palavra-chave estesia, poesia, Manoel de Barros
Resumo

Este trabalho, que faz parte de nossa dissertação de mestrado, tem por objeto de análise dois poemas, “A tartaruga” e “Os caramujos”, de Manoel de Barros, que fazem parte do livro Tratado geral das grandezas do ínfimo, publicado em 2006. Analisaremos os textos a partir do referencial teórico da semiótica francesa com o objetivo de depreender as estratégias enunciativas utilizadas pelo enunciador em seu fazer poético. Dessa forma, utilizaremos a noção de texto como objeto de significação, - para a apreensão dos efeitos de sentidos construídos nos textos a partir de sua estruturação interna, - e como objeto de comunicação entre enunciador e enunciatário. Observaremos o modo como se manifestam nos textos as dimensões pragmática, cognitiva, passional e enunciativa. Tendo em vista a dimensão pragmática, focalizaremos especialmente os percursos temático-figurativos dos textos, voltando-nos particularmente para as rupturas de isotopias, que são típicas da poesia do poeta pantaneiro, e que se revelam também nos dois poemas que constituem nosso córpus de análise, caracterizados pela estesia, conceito desenvolvido por A. J Greimas em Da imperfeição. Em relação à dimensão cognitiva, passional e enunciativa interessa-nos os saberes que se contrapõem nos textos: o saber do enunciador, que valoriza as grandezas do ínfimo, em oposição à visão do outro com quem ele estabelece uma relação polêmica. Os poemas revelam um enunciador que se volta para o tema da valorização de elementos do universo natural, ressaltando as belezas do ínfimo, como ocorre na maioria dos poemas dessa obra, em oposição a elementos do universo cultural. Com resultados preliminares, identificamos, no nível fundamental do percurso gerativo de sentido dos textos, uma oposição semântica: lentidão versus velocidade. Enquanto a lentidão é eufórica, a velocidade é disfórica. No nível discursivo, reconhecemos figuras como, por exemplo: “tartaruga”, “lesma”, “caramujos”, “moluscos”, constituintes do universo natural, em contraste com as figuras: “Forde 22”, “asa-dura”, “máquina voadora”, que se referem ao universo da cultura. Observamos também que no poema, o enunciador, além de refletir sobre o fazer poético: “... achei que esta história só caberia no impossível./ Mas não; ela cabe aqui também.”, ou seja, cabe na poesia; ele, também faz alusão à forma de vida do homem moderno que se caracteriza pela pressa em oposição à lentidão dos elementos da natureza: “Não atinei até agora por que é preciso andar tão/ depressa” (CAPES/ PROSUP).