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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Os procedimentos retóricos aplicados por Dom Antonio de Solís no prólogo da Historia de la conquista de México
Autor(es): Deolinda de Jesus Freire. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave Literatura Estrangeira, Literatura Hispano-Americana, Literatura Colonial
Resumo

A partir de preceitos expostos nas artes retóricas de Aristóteles, Quintiliano e Cícero, bem como em manuais castelhanos do século XVI, sobre os proêmios, nosso objetivo é discutir os procedimentos retóricos aplicados por Dom Antonio de Solís no prólogo da Historia de la conquista de México, publicada pela primeira vez em 1684. O prólogo, ao lado das aprovações oficiais e da censura, integra a parte introdutória da edição impressa. Esses textos preliminares são tratados por parte da crítica como paratextos, termo cunhado em 1982 por Gérard Genette em Palimpsestes. O espaço destinado aos paratextos, além de marcar o primeiro encontro entre o texto e o leitor, é onde se cria a imagem de um autor que, desde o frontispício, se oferece através da marca de seu estado civil. Essa imagem se desdobra nos discursos introdutórios escritos por outros e, finalmente, se concretiza no prólogo, quando o próprio autor se apresenta e representa a si mesmo. Assim, o prólogo é o lugar em que o autor enuncia a si próprio como leitor de sua obra, inventando, a partir de lugares-comuns, a imagem de si mesmo. Como nos lembra Borges (2001, 179), “una de las obras más importantes de un escritor – quizá la más importante de todas – es la imagen que deja de sí mismo a la memoria de los hombres, más allá de las páginas escritas por él”. A função primordial do autor no prólogo – “A los que leyeren” – da Historia de la conquista de México é tornar o leitor dócil, atento e benevolente, e fazer com que ele, lendo a obra, não a censure. No entanto, o autor não busca uma leitura aleatória, mas sim uma leitura regrada a partir dos preceitos do gênero e do decoro cristão. Como nos lembra Tripet (1992, p. 4), “le texte liminaire s’emploie à définir un comportement de lecteur, l’image d’un bon lecteur”. Assim, o prólogo é o lugar de escritura em que o autor manifesta suas qualidades e as do livro, sempre com afetada modéstia, e se esforça para regular uma interpretação que ele não pode dominar completamente, aliás, como também todos os que ajuízam a obra nos discursos oficiais.