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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Consumindo(-se) em comunidades de aprendizagem:entre a hiperindividualidade e a solidariedade
Autor(es): Maria de Ftima Silva Amarante. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 01/03/2024
Palavra-chave poder-saber, subjetivao, comunidades de aprendizagem
Resumo

O projeto de pesquisa em andamento cujos resultados parciais relatamos tem como objeto de estudo discursos midiático-digitais sobre/de comunidades de aprendizagem de línguas. Seu objetivo geral é refletir sobre representações de comunidades de aprendizagem de línguas e de seus atores educacionais e sobre os processos identitários que emergem dos processos de objetificação e de subjetivação constituídos por e constituintes de relações de poder/saber que se estabelecem no/pelo discurso sobre/ de comunidades de aprendizagem. Também é propósito da pesquisa discutir implicações das práticas identitárias para a formação de gestores educacionais e professores e para a capacitação de professores em serviço. Trata-se de uma pesquisa qualitativo-interpretativista, na área da Análise do discurso, na perspectiva discursivo-desconstrutivista. Fundamos o trabalho teórico-metodológico nos estudos foucaultianos acerca de poder e subjetividade e na proposta de Ferreira (2008), no sentido de considerar a estrutura rizomática de Deleuze & Guatarri como um método para analisar o discurso das redes, visto que a maioria das comunidades de aprendizagem de línguas são redes sociais ou estão alocadas em uma rede social. O corpus está delimitado a discursos midiático-digitais sobre/de comunidades de aprendizagem de línguas produzidos entre 2010 e 2014. Nesta comunicação, abordaremos especialmente o discurso veiculado em comunidades de aprendizagem que congregam professores no Facebook. Inseridos na perspectiva foucaultiana de que a linguagem é prática social, é ação sobre outros (Foucault, 1980), partimos da expectativa de que as comunidades de aprendizagem podem se revelar como dispositivos disciplinares bem ao gosto da sociedade de consumo contemporânea em que imperam processos antropofágicos e autofágicos. Em decorrência, preocupamo-nos com os “profundos” regimes de discurso/prática, ou saber/poder, que permitem que afirmações tais como “o sujeito contemporâneo é um hiperindivíduo” ou “o caminho é desenvolver uma cultura de solidariedade” sejam legitimadas como verdade. Tal legitimação, com certeza, leva-nos a pensar que as comunidades de aprendizagem podem se caracterizar como pseudo-desterritorializações dos grupos formais ou dos grupos de amigos e, assim, que nelas iremos encontrar representações estabilizadas dos sujeitos e, consequentemente, relações de poder-saber simétricas (no sentido foucaultiano), que, contraditoriamente, conciliam hiperindividualidade e solidariedade, por meio de sua reconceituação.