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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: O uso argumentativo das construções concessivas
Autor(es): Renata Margarido. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 24/02/2024
Palavra-chave Construes concessivas, Teoria funcionalista da linguagem, Natureza argumentativa
Resumo

O presente trabalho toma como objeto de investigação as construções concessivas com embora. Baseia-se na teoria funcionalista da linguagem, a qual, como apontam Cunha et al. (2003), procura explicar as regularidades observadas no uso interativo levando em conta as condições discursivas em que se dá esse uso. Considerando o caráter de “margem” (LONGACRE, 2007), “realce” (HALLIDAY, 2004), “fundo” (GIVÓN, 1995), “tópico” (DIK, 1997) e “adendo” (CHAFE) das orações adverbiais (concessivas), o objetivo é explorar a natureza argumentativa das concessivas, com o tratamento das seguintes questões: orientação argumentativa (DUCROT, 1981; GUIMARÃES, 2007); lei da preferência (GARCÍA, 1994); mudança de posição do locutor (GOUVÊA, 2002); tipos de concessão (GROTE ET AL., 1997). Para o exame dos dados, as construções em pauta foram coletadas em editoriais do jornal O Estado de S. Paulo (outubro a dezembro de 2007) e do jornal Folha de S. Paulo (outubro a dezembro de 2007; maio a dezembro de 2011). Em uma análise qualitativa das 160 ocorrências identificadas no córpus, obtiveram-se os seguintes resultados: i) de forma geral, a construção concessiva apresenta uma avaliação/opinião (em ambos os segmentos); além disso, normalmente, a oração concessiva traz argumento fraco (apoiado pelo interlocutor) e a oração nuclear contém argumento forte (defendido pelo locutor), sendo este último o que indica uma preferência do locutor (em oposição   a uma preferência determinada por convenções sociais e culturais, expressa na oração concessiva); ii) quando a oração concessiva denota relativização ou constatação, pode ocorrer a mudança de posição do locutor, caso em que a voz deste aparece no segmento concessivo, dando-se certa credibilidade, estrategicamente, à voz do interlocutor (presente na oração nuclear); iii) foram encontrados três papéis da concessão: convencer o ouvinte, prevenir falsas implicaturas e informar sobre eventos inesperados; iv) o segmento adverbial concessivo atua, basicamente, como fundo no fluxo de informação, mas, quando funciona como adendo (mecanismo utilizado para reforçar argumentação), passa a ter, geralmente, natureza de figura; v) a oração adverbial concessiva anteposta, ao atuar como tópico, pode indicar retomada de ideias ou resumo de argumentos apresentados anteriormente no editorial; vi) a construção concessiva (em ambos os segmentos) pode indicar retomada de argumentos centrais, servindo como um encaminhamento para a conclusão a que se pretende chegar no editorial. A partir desses resultados, verifica-se que o papel argumentativo das construções concessivas varia de acordo com necessidades comunicativas particulares, o que está de acordo com uma visão funcionalista da linguagem.