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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Um estudo funcional das construções intensificadoras “frio de doer”, “roxo de raiva” e “podre de rico” no português brasileiro
Autor(es): Ana Ligia Scaldelai. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave intensificao, estratgias, encarecimento
Resumo

As construções intensificadoras no português brasileiro têm a ver com a ideia de encarecimento, isto é, com a necessidade que o falante tem de exprimir uma noção superelevada acerca de algo, que ultrapassa os limites do que é concebido como relativamente normal para ele. Pode se dizer, então, que a intensificação é definida como um processo avaliativo do mundo, o qual constitui um recurso semântico-argumentativo muito produtivo na língua portuguesa (VIEIRA e VIEIRA, 2008). Essa expressividade está a serviço de determinadas intenções informativas e/ou retórico-argumentativas do falante com a finalidade de atingir algum propósito comunicativo, conforme se verifica nos exemplos a seguir: “frio de doer”; “lindo de morrer”; “roxo de raiva” e “podre de rico”. Esses exemplos mostram que a “intensificação nem sempre se processa de modo explícito, codificado diretamente por meio de uma expressão linguística denotativa. Significa que, nesse caso, o falante conta com a capacidade dedutiva/inferencial do interlocutor para apreender o conteúdo intensivo significado, abstraindo-o de determinadas pistas deixadas no texto” (SILVA, 2006, p. 207). Em muitas situações, as construções intensificadoras não-prototípicas, como as que se observa acima, são concebidas como fruto de transferência metonímica (HEINE et alii, 1991), que envolve a especificação de um significado em termos de outro que está presente no contexto, o que implica uma transferência semântica por contiguidade. Na expressão “roxo de raiva”, o valor da cor roxa (que pode significar algo perturbador, confuso, obscuro, ultrapassado, extremado) transfere-se metonímicamente para a nova construção, instaurando a ideia de “muito bravo” ou “muita raiva”. Segundo Silva (2006, p. 208), as estratégias de intensificação têm como fundamento a percepção sensório-motora resultante de nossas experiências com o mundo físico e sociocultural (a partir dos conceitos de peso/força, quantidade, tamanho/dimensão, espaço/distância e sensações/estados bio-físicos ou psico-afetivos, etc.). Em vista do exposto, o objetivo geral deste trabalho é descrever o uso de contruções intensificadoras no português brasileiro, sob uma perspectiva funcionalista da linguagem (NEVES, 2001, 2010, 2011; CASTILHO, 2012; BAGNO, 2012; SILVA, 2006, 2008, 2013), levando-se em consideração os aspectos cognitivos, pragmáticos, semânticos e morfossintáticos. Os objetivos específicos são: (i) analisar o processo de constituição dessas construções intensificadoras no português brasileiro (com dados extraídos da internet, por meio da ferramenta Google) e (ii) identificar o valor semântico-pragmático veiculado por essas expressões (se positivo ou negativo).