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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Sobre a tradução de Tsukuru Tazaki de Haruki Murakami
Autor(es): Eunice Tomomi Takahaschi Suenaga. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave Traduo, Literatura Japonesa Contempornea, Haruki Murakami
Resumo

O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação (doravante “o Tsukuru Tazaki”) (Objetiva: 2014) de Haruki Murakami conta a história de Tsukuru, um rapaz inseguro e solitário que, depois de quase dezessete anos, resolve procurar seus amigos da época do colégio para saber o motivo de sua expulsão do grupo. É uma história de perda de pessoas queridas e recuperação da autoestima e, apesar de não haver nenhuma referência direta, está inserida no contexto do Japão atual que recentemente passou por dois grandes terremotos: o de Kobe em 1995 e o do leste do Japão em 2011.
O presente trabalho pretende tratar das dificuldades e soluções encontradas na tradução da obra fazendo referência à teoria de “resíduo doméstico” de Lawrence Venuti (2000). Segundo Venuti, a tradução libera o “resíduo doméstico” inscrevendo valores, crenças e representações ligados a momentos históricos e posições sociais na cultura doméstica. Ainda segundo ele, parte dos contextos histórico e sociocultural do texto estrangeiro se perde no processo de tradução, mas o “resíduo doméstico” pode compensar essa perda.
Serão levantadas algumas questões para analisar a tentativa para compensar as perdas dos contextos histórico e sociocultural do texto estrangeiro na tradução através da liberação de “resíduo doméstico”, tais como: nomes próprios dos personagens, uso de pronomes pessoais nos diálogos e tradução de aspectos históricos, sociais e culturais Primeiro, trataremos dos nomes dos personagens que muitas vezes são explicados por meio de ideogramas kanji. Em seguida, trataremos do uso de pronomes pessoais nos diálogos. Na língua japonesa, os pronomes pessoais de primeira e segunda pessoas mudam conforme o locutor e o interlocutor, refletindo a hierarquia entre os interlocutores e o gênero do falante. Em Tsukuru Tazaki, os personagens que têm idades próximas e pertencem à mesma classe social usam os seguintes pronomes pessoais de primeira e segunda pessoas, respectivamente: boku e kimi, watashi e anata, ore e omae, boku e Tsukuru-san (algo como “sr. Tsukuru”) e watashi e kimi. No português optou-se por “eu” e “você” em todos esses casos. Por último, será discutida a tradução de outros aspectos ligados a contextos histórico e sociocultural. Apesar de não haver nenhuma referência direta, acreditamos que o contexto histórico do Japão atual que passou por dois grandes terremotos em menos de vinte anos esteja refletido na criação dos personagens. Apresentaremos algumas das soluções encontradas na tradução desses e outros aspectos históricos, culturais e sociais presentes no texto estrangeiro.