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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: HUMOR E CONTEMPORANEIDADE: UMA ANÁLISE DOS TEXTOS DO COLUNISTA TUTTY VASQUES
Autor(es): Diogo Silva Chagas. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave humor, contemporaneidade, destacabilidade
Resumo

Filiando-se ao quadro teórico da Análise do Discurso de linha francesa, mais precisamente, às reflexões propostas por Maingueneau e Possenti, este trabalho visa estudar processos de produção e de circulação do humor na contemporaneidade. Para esta comunicação, o material de análise agrupa 15 textos extraídos de um corpus composto por 434 textos escritos por Tutty Vasques para a coluna “Tutty Humor: Má notícia é a maior diversão” do jornal O Estado de S. Paulo de um total de 1.299 publicados no período de junho a dezembro de 2013. Os textos selecionados apresentam as mesmas características: (1) são concisos e (2) provocam um efeito de humor sempre relacionado a acontecimentos contemporâneos. Acreditamos, assim como Possenti, que os textos humorísticos (ou piadas) “são bons exemplos para explicitar princípios de análise linguística” e “são bons argumentos para teses ligadas às teorias textuais e discursivas”. Para realizarmos a análise, mobilizamos as noções de destacabilidade, aforização e sobreasseveração propostas por Maingueneau. A noção de destacabilidade refere-se a trechos discursivos que circulam isolados do seu contexto original e que, por muitas vezes, podem provocar o que o analista chama de efeito aforizante. Por sobreasseveração, entende-se uma sequência textual destacada que sofre alterações em relação ao texto fonte, enquanto que o regime aforizante se caracteriza pela “pretensão ilocutória” de certos enunciados soarem como verdades ou como uma espécie de sentença. Levando em consideração o estilo do autor e a materialização de discursos polêmicos, procuramos conduzir a análise para uma reflexão sobre como é possível verificar como a leitura dos textos permite ao leitor elaborar uma imagem de um autor e associar a ela um tom irônico, brincalhão e zombeteiro. Apontamos, também, como característica de estilo a interlocução direta do autor com seu leitor, que permite criar uma espécie de cumplicidade entre as duas instâncias. Por fim, a análise dos textos selecionados nos permite concluir que o humor se dá por uma recorrência a temas atuais às publicações, temas “sérios” e polêmicos que se materializam nos enunciados que compõem os textos, deslocados de seus campos discursivos originais pelo autor. Assim, o que circulava nos campos religioso, político e econômico é inserido no campo do humor, por meio de processos como captação e subversão.