logo

Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: Câmera, memória, ação: O morador de rua e suas narrativas em vídeos do YouTube
Autor(es): Lucas Rodrigues Lopes. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave Discurso, YouTube, Mdia
Resumo

O trabalho a ser apresentado é um recorte da pesquisa de doutorado, em Linguística Aplicada, em andamento na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Nosso objetivo, aqui, é discutir, a partir dos dizeres de moradores de rua, emergentes de entrevistas, em vídeos do YouTube, a incidência de representações espaço-temporais; desse modo, problematizando as representações de sujeito e do corpo na materialidade linguística. Os moradores de rua vêm sendo apresentados nesses vídeos como desterritorializados, sem raízes, sem meandros a seguirem, porque, ao ocuparem a rua, um lugar de ampla transitoriedade, idas e vindas, verticalidades e horizontalidades, não têm endereço fixo, são mutáveis e quanto mais rueiros - mais moradores. Assim, buscamos  adentrar  a materialidade discursiva dos textos, uma vez que estes se entrelaçam, se atravessam e se imbricam formando e transformando a memória que temos e que quem a rua ocupa tem do que é morar na rua, do que é ocupar uma casa e das regras de convivência entre dentro-fora e fora-dentro. Trabalhamos o conceito de memória como um arquivo em constante construção, que demandando organização, embora inconsciente, de pessoas, de personagens, de tempo e de lugares. Tomamos discurso, segundo estudos  foucaultianos, como “um campo de regularidades para diversas posições de subjetividade” e “acontecimento”  como aquele que se arranja em combinações discursivas de registros da memória dos indivíduos. Na medida em que os registros do acontecimento passam, agora, por mediações tecnológicas, a própria materialidade do acontecimento também se modifica, ou tem a sua hierarquia (re)definida pelo deslocamento das percepções que as tecnologias podem possibilitar. Também, a questão do sujeito, embasando-nos na Psicanálise, entendemos como sendo da incompletude, sujeito da falta e do inconsciente. Para a análise, seguimos, desse modo, uma orientação discursivo-desconstrutivista e nos ancoramos em filósofos como Foucault e Derrida, além de operar com alguns conceitos psicanalíticos de orientação freudo-lacaniana.