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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: ENSINO DE LÍNGUA E PAPEL SOCIAL DO LINGUISTA
Autor(es): CONRADO ABREU CHAGAS. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave educao lingustica, variao lingustica, papel social dos linguistas
Resumo

Há hoje suficientes evidências a sustentar uma educação linguística que dê espaço e legitimidade às variedades não padrão. Essa educação encontra apoio em documentos oficiais e já consta nos próprios materiais didáticos. Embora vise sobretudo à norma dita “culta” da língua (entendendo seu domínio como um “direito do falante”), tal educação, em lugar de estabelecer as variedades cultas como objeto exclusivo de estudo na escola, reconhece aí a legitimidade também das demais variedades. Contudo, existe na sociedade brasileira enorme resistência a admitir-se não apenas que a língua seja heterogênea (que, por isso, haja variação linguística), mas, sobretudo, que essas formas alternativas de expressar-se devam ser consideradas como autênticos objetos de estudo nas escolas. Em certos círculos, tal resistência se deverá menos à ignorância daqueles que a sustentam do que à necessidade de se forjar uma língua imaginária, ideal, que, apresentada como "patrimônio da nação", refrata as condições históricas e, portanto, concretas da própria existência do português brasileiro. Tratar-se-ia aqui de uma espécie de “iletrismo por rancor”. O famoso PL nº 1.676 parece bom exemplo disso. Partindo de uma concepção idealizada de língua homogênea, que deve, na condição de patrimônio da nação, ser protegida da influência estrangeira, esse documento conjura os cidadãos a “defender o idioma pátrio”, “esquecendo-se” de ouvir a voz autorizada das associações de Linguística e dos programas de pós-graduação em Linguística. Nem por isso silenciam-se os linguistas. Ao contrário, estes mostram que, sob o pretexto da unidade linguística vernacular, sob o manto sagrado do “milagre brasileiro”, o que se está de fato fazendo é reforçar o discurso excludente, que vem opor-se na verdade, e antes de tudo, a certo “estrangeirismo nacional”. Não obstante, e apesar da intervenção autorizada e organizada dos linguistas – que já conquistou espaço, inclusive, nas orientações oficiais sobre o ensino da língua (os PCN, por exemplo) –, haveria ainda na população, de modo geral, forte apego à noção de certo e errado, ou seja, à noção de língua como um código único que deve ser aprendido se se quer “ascender socialmente”, o que vem refratando a própria discussão sobre a língua. Os procedimentos teórico-metodológico deste trabalho  consistem numa análise das reflexões de pesquisadores de áreas como a Análise do Discurso e a Sociolinguística, com o objetivo de (re)pensar (1) o ensino da língua materna no contexto brasileiro e (2) o papel social dos linguistas no que se refere ao estado atual desse ensino.