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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: "Acabou-se o que era doce; quem comeu se regalou-se": a gramaticalização do pronome reflexivo no Português do Brasil
Autor(es): Fernanda Rosrio de Mello. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave Funcionalismo, Gramaticalizao, Pronome reflexivo
Resumo

A flutuação nos usos do pronome reflexivo é uma questão que vem sendo abordada por muitos estudiosos do português. Habitualmente, os trabalhos dedicados ao tema apontam uma tendência geral para seu apagamento (Veado, 1982; D’Albuquerque, 1988; Nunes, 1995; Lima, 2006 e outros). Se, por um lado, temos dialetos que sustentam tal posição, temos, por outro, regiões do Brasil em que o movimento é inverso: ao invés de sofrer apagamento, o uso do clítico se mantém e se estende a contextos diversos. Em Mello (2005), foram relacionados os usos do se na função reflexiva, em graus variados, adquirindo novas funções no discurso. Foram descritas diferentes matizes de significação dos ses para mapear semelhanças e diferenças entre eles. Os resultados obtidos indicaram que o item tem seu uso expandido em determinados dialetos, e de uma função originária, propriamente reflexiva, ele assume novas subfunções. À medida que vai alargando seu contexto de ocorrências, ele vai se tornando mais opaco e passa a conviver em contextos mais abstratos de uso, deixando sua tarefa primeira – a de estabelecer uma correferencialidade entre o sujeito e o objeto – adquirindo novas nuanças menos concretas. Segundo Ilari et alli (1992) as mais substanciais novidades na sintaxe dos pronomes atingem o reflexivo se, que assume funções totalmente desconhecidas na sintaxe clássica. Sendo assim, neste trabalho, procurou-se verificar empiricamente, via processo de gramaticalização fundamentado pelo Funcionalismo, o movimento de variação e mudança no uso do pronome reflexivo – se. Para isso, foi utilizada a metodologia da Sociolinguística variacionista (Cf. Labov, 1972), que gerou os resultados quantitativos para análise e discussão dos dados, aplicados aos princípios de gramaticalização propostos por Hopper (1993). Os resultados dessa aplicação sugerem que as variações semânticas nas funções do pronome reflexivo se parecem atuar como indícios de trajetórias de mudança, que fazem com que ele caminhe de uma função originária de clítico reflexivo a uma categoria de afixo verbal, mediante processo de gramaticalização (Cf. Bybee, 2001; Bybee et alii, 1994; Hopper & Traugott, 1993 e outros).