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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: O objeto pronominal acusativo de 3ª pessoa nas variedades de espanhol de Madri e Montevidéu comparado ao português brasileiro
Autor(es): Adriana Martins Simes. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave objeto pronominal acusativo, espanhol, coexistncia de gramticas
Resumo

Neste trabalho, nosso objetivo é apresentar algumas tendências a respeito da realização do objeto pronominal acusativo de 3ª pessoa nas variedades de espanhol de Madri e Montevidéu comparadas ao português brasileiro. Essas tendências são parte dos resultados encontrados em nossa pesquisa de doutorado (SIMÕES, 2015). Como referencial teórico, consideramos a concepção biológica de língua e gramática (CHOMSKY, 1981, 1986, 1999) combinada a alguns aspectos sociolinguísticos (LABOV, 2008; WEINREICH, LABOV e HERZOG, 2009). Conforme os estudos de Campos (1986a, b) e Fernández Soriano (1999), o espanhol seria uma língua em que a omissão do objeto acusativo se restringiria a antecedentes [-específicos; -definidos], enquanto os antecedentes [+específicos] deveriam ser retomados por um clítico. A variedade de espanhol de Montevidéu apresentaria essa mesma restrição (GROPPI, 1997). Por outro lado, no português brasileiro, os objetos nulos são possíveis tanto com antecedentes [-específicos] quanto com antecedentes [+específicos] (CASAGRANDE, 2012; CYRINO, 1994). Tendo em vista os trabalhos a respeito do espanhol, partimos da hipótese de que nas variedades de espanhol investigadas encontraríamos apenas objetos nulos com antecedentes [-determinados; -específicos]. Analisamos entrevistas das variedades de espanhol de Madri (CESTERO MANCERA et al., 2012) e Montevidéu (ELIZAINCÍN, s/d), pertencentes ao PRESEEA. Entre os contextos linguísticos investigados, verificamos a estrutura do sintagma nominal antecedente e seus traços semânticos. A partir da análise dos dados, encontramos a omissão do objeto com antecedentes [-determinados; -específicos], porém também algumas ocorrências com antecedentes [+determinados; +/-específicos] e, inclusive, [+animados], contrariando, assim, nossa hipótese inicial. Na comparação dos dados e tendências encontradas com o português brasileiro, observamos que esta língua parece permitir a variação entre o pronome lexical e o objeto nulo quando se trata de antecedentes [+/-animados; +específicos] e [+animados; -específicos]. Contudo, quando se trata de antecedentes [-animados; -específicos], houve restrições para a retomada pelo pronome lexical, sobretudo com sintagmas nominais indefinidos e quantificados e em construções com predicado verbal estativo. Quanto às variedades de espanhol investigadas, nas construções com predicados estativos os objetos nulos foram mais frequentes com sintagmas nominais que apresentavam o traço semântico de indefinitude. Interpretamos as tendências encontradas como um indício de coexistência de gramáticas (CHOMSKY, 1999; LIGHTFOOT, 1999) nas variedades de espanhol de Madri e Montevidéu e no português brasileiro, embora essas variedades de espanhol não se configurem como línguas de objeto nulo.