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Programação do 63º seminário do GEL


63º SEMINáRIO DO GEL - 2015
Título: A natureza da concessividade na cognição e na linguagem
Autor(es): Andre Vinicius Lopes Coneglian. In: SEMINÁRIO DO GEL, 63 , 2015, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2015. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave concessividade, dinmica de foras, subordinadores adverbiais
Resumo

No modelo da semântica conceptual (Langacker, 1987; Talmy, 2000), busca-se explicitar os padrões nos quais e os processos pelos quais conteúdo conceptual está organizado na linguagem. Assume-se, assim, que a existe uma relação orgânica entre gramática e cognição e que as propriedades formais de uma língua são descritas fazendo-se referência aos sistemas cognitivos que organizam a conceptualização da experiência. Ficam interfaceados, portanto, os componentes sintático, semântico e pragmático da língua. Partindo-se dessas assunções básicas, neste trabalho, analisa-se a noção de concessividade a fim de determinar a sua natureza conceptual e a sua expressão linguística. Este exame possui três partes. Em primeiro lugar, delimitar o sistema cognitivo responsável pela noção de concessividade.   Dentre os sistemas cognitivos apresentados por Talmy (2000), o sistema da dinâmica de forças é aquele responsável pela percepção estruturação do conceito de causalidade, que aparece como um traços semânticos da concessividade. Talmy (1988, 2000) propõe que, na organização básica da categoria, estejam presentes duas entidades (ou forças) em interação. Uma delas é tida como o foco de atenção, podendo mostrar tendência à manifestação do seu potencial de força ou à sua superação por outra entidade, chamada agonista. A segunda entidade – chamada antagonista – é considerada a partir do efeito sobre a primeira força, a qual pode ser neutralizada, sobrepujada ou, ainda, vencida. A interação entre essas duas entidades de força segue ou o padrão causal ou o padrão concessivo. Nesse último padrão, agonista tem sua tendência à ação preservada apesar da força exercida pelo antagonista. Em segundo lugar, identificar os componentes semânticos que fazem parte dessa interação. Os dois componentes básicos são a escalaridade e a persistência. A escalaridade é o componente que determina a intensidade de interação das forças e o componente da persistência determina qual dessas forças terá uma intensidade maior que a outra. Dessa interação de forças, emerge o terceiro componente semântico: o contraste, que resulta da discrepância de intensidade entre as forças. A terceira parte do exame é a verificação e a descrição desses componentes na estrutura das construções adverbiais concessivas. Fixa-se, para os propósitos deste trabalho, especificamente nos subordinadores adverbiais concessivos complexos, que são formados a partir de uma base lexical mais a partícula subordinadora que, na assunção de que a base lexical desses subordinadores apresentam os componentes semânticos da concessividade.  As análises todas são a partir de exemplos de córpus (Corpus do Português).